De carreira corporativa à psicologia: a trajetória de Viviana Madisson em busca de propósito
Psicóloga deixa carreira corporativa, empreende na área clínica e cria método para ajudar profissionais a unir propósito e gestão

Trocar a estabilidade do mundo corporativo por um propósito de vida pode parecer arriscado — e, muitas vezes, é. Mas foi exatamente esse caminho que a psicóloga Viviana Madisson decidiu seguir após anos de atuação em empresas, construindo uma carreira sólida na área de Recursos Humanos.
Durante entrevista ao programa Meu Em Entrevista, Viviana compartilhou sua trajetória, desde a escolha da faculdade até a consolidação da própria clínica e criação de um método voltado ao empreendedorismo na psicologia.
Escolha profissional e formação
A decisão pela psicologia não foi imediata. No fim do ensino médio, Viviana considerou diferentes áreas, como turismo, veterinária e biologia. A escolha veio a partir de afinidades, mas principalmente do desejo de ajudar pessoas.
A formação aconteceu na Universidade Estadual Paulista (UNESP), no campus de Assis, cidade do interior que, segundo ela, oferecia o ambiente tranquilo que buscava. Durante os cinco anos de graduação, destacou-se pela dedicação: realizou sete estágios — número bem acima do exigido — com foco majoritário na área clínica.
Além disso, a formação foi marcada por forte base teórica, com estudos aprofundados de autores como Sigmund Freud, e pela produção de trabalhos acadêmicos em formato científico.
Experiência no mundo corporativo
Após se formar, Viviana enfrentou dificuldades para ingressar na área clínica e acabou iniciando sua carreira no setor corporativo, atuando em Recursos Humanos. Ao longo de aproximadamente oito anos, trabalhou em empresas nacionais e multinacionais, com foco em recrutamento, seleção e desenvolvimento de pessoas.
Nesse período, também investiu em formação complementar, com pós-graduações em gestão de pessoas e gestão empresarial — conhecimentos que mais tarde se mostrariam fundamentais para sua atuação como empreendedora.
Apesar do aprendizado, a psicóloga relata que o trabalho não atendia plenamente suas expectativas pessoais. “Não era onde o meu coração estava”, afirmou.
A virada de chave
A mudança aconteceu após um período de insatisfação profissional e, posteriormente, com o desligamento da última empresa onde atuava. Foi nesse momento que decidiu investir na carreira clínica.
Com apoio do marido e utilizando a reserva financeira da rescisão, Viviana iniciou o atendimento psicológico de forma gradual, começando com a sublocação de uma sala e poucos pacientes.
O início, segundo ela, foi marcado por incertezas e desafios, mas também por oportunidades inesperadas — como a chegada dos primeiros pacientes e a ampliação da estrutura de atendimento em poucos meses.
Empreendedorismo na psicologia
Ao estruturar sua clínica, Viviana percebeu uma lacuna importante na formação dos profissionais da saúde: a ausência de preparo para gestão e empreendedorismo.
“A gente aprende a cuidar do outro, mas não aprende a cuidar do negócio”, destacou.
Essa percepção levou à criação do Método Madá, iniciativa voltada a ajudar psicólogos e outros profissionais a desenvolverem habilidades empresariais, como organização financeira, planejamento e estratégias de crescimento.
Desafios e inseguranças
Mesmo com a consolidação da carreira, a psicóloga afirma que o “frio na barriga” faz parte da rotina de quem empreende. A instabilidade financeira e a imprevisibilidade da demanda são alguns dos principais desafios, especialmente em períodos sazonais de queda no número de atendimentos.
Para lidar com isso, Viviana reforça a importância de planejamento e reserva financeira, além de um fator essencial: o propósito.
Propósito e saúde emocional
Para a psicóloga, o propósito está diretamente ligado ao impacto positivo na vida das pessoas. Segundo ela, o trabalho clínico contribui para o desenvolvimento do autoconhecimento e do equilíbrio emocional — fatores que influenciam não apenas o indivíduo, mas também a sociedade como um todo.
Viviana retoma uma ideia clássica da psicanálise, associada a Freud, de que o autoconhecimento pode transformar relações e reduzir conflitos. “Quando a pessoa se entende melhor, ela aprende a lidar com suas emoções e, consequentemente, vive melhor em sociedade”, explica.
Clínica e expansão
Em 2019, Viviana deu mais um passo importante ao abrir sua própria clínica em sociedade com outros profissionais. Pouco tempo depois, enfrentou um novo desafio: a pandemia de COVID-19.
Com as restrições e o avanço do atendimento online — que até então era pouco comum na psicologia —, a clínica precisou se adaptar rapidamente. Apesar das incertezas iniciais, o resultado foi positivo, com crescimento na demanda por atendimentos.
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