Mercado editorial analisa seu passado e futuro
Uma frase de Carlos Drummond de Andrade na sala de reuniões do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) resume bem o estudo que o Coppead, o instituto de pós-graduação em Administração da Universidade Federal do Rio, apresenta nesta quarta-feira, 21: “Autor, editor e livreiro formam uma trinca inseparável, pela identidade de interesses…

Uma frase de Carlos Drummond de Andrade na sala de reuniões do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) resume bem o estudo que o Coppead, o instituto de pós-graduação em Administração da Universidade Federal do Rio, apresenta nesta quarta-feira (21): “Autor, editor e livreiro formam uma trinca inseparável, pela identidade de interesses culturais e econômicos. Aquele que pense em se afastar dos outros vai se dar mal”.
É justamente a falta de comunicação entre os envolvidos na cadeia do livro um dos maiores desafios para que o mercado editorial continue crescendo. Não existe hoje no Brasil, por exemplo, um sistema único de informação para editores, distribuidores e livreiros, causando atrasos e falhas que podem se refletir na insatisfação dos leitores – para quem, afinal, todo o trabalho é feito.
A ideia do estudo surgiu há dois anos, quando Sônia Jardim, presidente do Snel, procurou o Coppead. Os editores queriam entender melhor o que estava acontecendo com o mercado e saber para onde estavam indo. Leonardo Bastos da Fonseca, aluno do mestrado da instituição, se interessou pelo assunto e tocou com Denise Fleck, sua orientadora, a pesquisa patrocinada com uma bolsa de estudos pelo sindicato.
O relatório abarca dois séculos de história – de 1808, ano da chegada da família real, a 2012. Foram ouvidos cerca de 40 editores, livreiros, autores, agentes literários, gráficos, etc. O Acervo Estado, com material publicado pelo jornal a partir de 1875, também foi fonte. O objetivo era fazer uma análise histórica do crescimento e identificar os desafios para que a evolução seja organizada e leve à longevidade do mercado, e não à sua autodestruição.
A ida a feiras internacionais, a realização de festivais literários no País, práticas como consignação para livrarias, marketing, treinamento de funcionários, criação de grupos editoriais e fragmentação dos catálogos em selos foram algumas das questões tratadas na pesquisa – ainda não se sabe se ela virará um livro, mas como são poucas as publicações sobre o mercado editorial brasileiro o lançamento seria bem-vindo.
Entraves já superados, como imposto sobre papel e impressão, falta de papel, censura, taxa de câmbio e inflação, entre outros, deram espaço a questões como desorganização, falta de comunicação, competição interna, funcionários de livrarias sem conhecimento do produto (porque mais livros são lançados hoje e porque a rotatividade na área é grande, já que salários são baixos) e falta de avaliação das iniciativas – especialmente as comerciais e de divulgação. O livro digital e as compras governamentais, duas grandes esperanças de crescimento, também podem ser vistos como obstáculos.
Para Denise Fleck, há duas estratégias com relação ao e-book: continuar agindo como se nada estivesse acontecendo e ver o que vai acontecer ou identificar o que pode ser melhorado hoje, enquanto o mercado se prepara para o digital. O primeiro grupo prevalece, diz a professora, embora ela ressalte que este foi um primeiro estudo que não se prestou a aprofundar esta questão.
Sobre os programas de venda para o governo, que têm movimentado cerca de R$ 1 bilhão ao ano, ela informa que as editoras não estão preparadas para perder a boquinha. “Hoje em dia essas compras estão fazendo uma boa diferença. Respondem, às vezes, por 30%, 40% do faturamento. Se o governo mudar sua estratégia ou suprir suas necessidades fazendo apenas compras esporádicas, vai afetar.”
FEIRAS AINDA SÃO BOAS VITRINES
A proliferação de eventos literários nos anos 2000 ampliou os espaços de exposição do livro, aponta o relatório da Coppead. “As feiras são muito bem-vindas e uma das alavancas de divulgação”, diz Denise Flick. O estudo, no entanto, mostra queda nas vendas dentro de feiras na última década. Hoje, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo anuncia sua programação. Entre os confirmados, o best-seller Ken Follett.
Quando o grupo se juntou e manifestou a questão, o tema ganhou relevância nacional e urgência de discussão. “Agora, depende muito da relatoria na CCJ do Senado”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
