Ministério Público pede arquivamento do caso Cão Orelha
Laudo pericial afasta maus-tratos e identifica infecção óssea grave

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou o arquivamento das investigações envolvendo o caso do cão Orelha, encontrado ferido na Praia Brava, em Florianópolis, e submetido à eutanásia. O pedido foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude da Capital na última sexta-feira (8) e divulgado oficialmente nesta terça-feira (12).
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Após análise de quase dois mil arquivos, incluindo imagens, laudos periciais e depoimentos, o MPSC concluiu que os adolescentes investigados não estiveram com o animal no local e horário da suposta agressão, afastando a hipótese de maus-tratos.
Segundo o órgão, uma reconstituição detalhada da linha do tempo revelou inconsistências nos horários inicialmente apontados pela investigação policial. A perícia identificou uma defasagem de cerca de 30 minutos entre câmeras de monitoramento, o que demonstrou que o cão e o adolescente investigado não estavam juntos na praia no período indicado.
As imagens analisadas também mostraram que o cachorro mantinha capacidade motora normal quase uma hora após o suposto momento da agressão, contrariando a versão de que teria sido violentamente atacado.
Laudos veterinários apontam doença grave preexistente
A exumação do corpo e os exames veterinários descartaram fraturas ou lesões recentes compatíveis com violência humana. Em vez disso, foram encontrados sinais de osteomielite grave na região maxilar, além de infecções avançadas associadas a problemas periodontais.
De acordo com o Ministério Público, a morte do animal está relacionada a um quadro clínico severo e pré-existente, e não a agressões físicas.
Além disso, o órgão destacou que a morte posterior de outra cadela companheira, chamada Pretinha, por doença do carrapato, reforça a situação de vulnerabilidade sanitária dos animais.
Outras investigações também foram arquivadas
O Judiciário também arquivou o inquérito sobre suposta coação processual envolvendo o caso, além de concluir que não houve maus-tratos contra outros cães mencionados durante a investigação, como o cachorro Caramelo.
Possíveis irregularidades serão apuradas
Apesar do arquivamento, o MPSC solicitou o envio de documentos à Corregedoria da Polícia Civil para investigar possíveis falhas na condução do caso, além de apuração sobre eventual divulgação indevida de informações sigilosas.
O Ministério Público também informou que será aberta investigação específica para analisar possíveis crimes relacionados à disseminação e monetização de informações falsas sobre o caso nas redes sociais e ambientes digitais.
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