Moraes determina busca e apreensão contra ex-secretário apontado como fonte de jornalista no Maranhão

Medida foi autorizada após investigação identificar Raimundo Cutrim como suposta fonte de reportagens sobre o uso de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (11) o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e delegado aposentado da Polícia Federal. Ele é apontado pelas investigações como a fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a medida foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão também atingiu o advogado do jornalista.

A investigação teve origem em reportagens publicadas por Luís Pablo sobre o suposto uso de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino, ministro do STF. O jornalista já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão em março deste ano, quando aparelhos eletrônicos foram recolhidos.

De acordo com a defesa de Cutrim, a nova decisão foi baseada na análise dos aparelhos apreendidos anteriormente com o jornalista. A quebra dos dados teria indicado que Cutrim seria a pessoa responsável pelo fornecimento das informações utilizadas nas reportagens.

O advogado José Berilo de Freitas Leite afirmou que a defesa ainda não teve acesso integral aos processos e questionou o fato de a investigação estar concentrada na identificação da fonte jornalística, enquanto, segundo ele, as denúncias relacionadas ao suposto uso dos veículos oficiais permanecem sem apuração.

Cutrim tem histórico de atuação política no Maranhão. Além de ter sido secretário de Segurança Pública, ele foi deputado estadual e ocupou cargo no governo de Carlos Brandão. O ex-secretário também é apontado como adversário político de Flávio Dino.

Atualmente, Cutrim está preso por uma acusação de obstrução de investigação relacionada a um homicídio envolvendo um parente. Ele nega as acusações.

Versões diferentes

Aliados de Flávio Dino afirmam que o veículo particular utilizado pelo ministro estaria sendo seguido e, por isso, sustentam que não houve utilização de carros oficiais. Também acusam o jornalista de ter cobrado R$ 100 mil para publicar as reportagens.

Luís Pablo nega as acusações. Segundo ele, nunca acompanhou veículos utilizados pelo ministro ou por familiares e alega que o uso de carros oficiais é um fato comprovado. O jornalista também afirma que nunca recebeu dinheiro para publicar as reportagens.

A decisão de Moraes ocorre no contexto de uma investigação que passou a envolver não apenas o conteúdo das reportagens, mas também a identificação da pessoa que teria fornecido as informações ao jornalista.

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