Mortes por câncer colorretal podem triplicar no Brasil até 2030, apontam estudos

Campanha Março Azul-Marinho visa conscientizar e alertar sobre os perigos da doença

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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O número de mortes por câncer colorretal no Brasil deve crescer de forma expressiva nos próximos anos, acendendo um alerta para autoridades de saúde e especialistas. Estimativas apontam que cerca de 127 mil pessoas podem morrer em decorrência da doença entre 2026 e 2030 — quase o triplo em relação ao período de 2001 a 2005, quando foram registrados 57,6 mil óbitos.

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O avanço da mortalidade acompanha o aumento de casos no país. Atualmente, o câncer colorretal é o segundo mais frequente entre homens e mulheres e também figura entre as principais causas de morte por câncer. A doença afeta o intestino grosso (cólon) e o reto e, na maioria das vezes, se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais.

Especialistas apontam que o envelhecimento da população é um dos principais fatores para o crescimento dos casos, mas destacam também a influência direta de hábitos de vida. Alimentação rica em produtos ultraprocessados, consumo excessivo de carnes vermelhas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e ingestão de álcool aumentam significativamente o risco de desenvolvimento do tumor.

Além disso, o diagnóstico tardio ainda é um dos maiores desafios. Cerca de 65% dos casos são identificados apenas em estágios mais avançados, o que reduz as chances de tratamento eficaz. A dificuldade de acesso a exames e serviços de saúde, especialmente em regiões mais afastadas, contribui para esse cenário.

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Impacto social e econômico

O impacto da doença vai além da saúde pública. Estudos indicam que, em média, mulheres que morrem por câncer colorretal perdem 21 anos de vida, enquanto homens perdem cerca de 18 anos. Entre 2001 e 2030, a soma chega a 12,6 milhões de anos potenciais de vida perdidos no país.

Em termos econômicos, as perdas também são significativas, com estimativas de prejuízo de cerca de Int$ 22,6 bilhões em produtividade no período analisado.

As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das mortes, principalmente por serem mais populosas e terem maior proporção de idosos. No entanto, os maiores aumentos proporcionais da mortalidade devem ocorrer no Norte e Nordeste, onde há maiores desafios socioeconômicos e de acesso à saúde.

Sintomas e sinais de alerta

Embora silencioso no início, o câncer colorretal pode apresentar sinais que não devem ser ignorados, especialmente quando persistem por semanas. Entre os principais estão:

Presença de sangue nas fezes

Alterações no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre)

Dor ou desconforto abdominal frequente

Sensação de evacuação incompleta

Fezes mais finas que o normal

Anemia ou cansaço constante

Perda de peso sem causa aparente

A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação médica.

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Prevenção e diagnóstico precoce

A boa notícia é que o câncer colorretal está entre os tipos de tumor que podem ser prevenidos e detectados precocemente. A colonoscopia é um dos principais exames, capaz de identificar e remover pólipos — lesões que podem evoluir para câncer ao longo do tempo.

A recomendação geral é que pessoas com risco médio iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos. Já quem tem histórico familiar deve começar antes, conforme orientação médica.

A adoção de hábitos saudáveis também é fundamental. Alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool e alimentos ultraprocessados são medidas que ajudam a diminuir o risco.

Desafio para políticas públicas

Diante do cenário de crescimento da doença, especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, ampliação do acesso ao diagnóstico e redução das desigualdades regionais.

Campanhas de conscientização, como o Março Azul-Marinho, também têm papel importante ao incentivar a população a adotar hábitos saudáveis e realizar exames de rotina.

Para os pesquisadores, investir em prevenção e diagnóstico precoce é essencial não apenas para salvar vidas, mas também para reduzir os impactos sociais e econômicos causados pela doença no país.