Moscou conta com um cemitério que faz homenagens a ídolos e astronautas russos
O grupo era grande e o passo rápido. Atrás do guia, mais de 20 chineses se apertavam para ver em detalhes as mais diferentes formas de homenagens a uma extensa classe de heróis da Rússia e da União Soviética. De um lado, o corpo perfeito de uma bailarina em granito. De outro, a réplica de um tanque de guerra com canhão e tudo. Ainda é…

O grupo era grande e o passo rápido. Atrás do guia, mais de 20 chineses se apertavam para ver em detalhes as mais diferentes formas de homenagens a uma extensa classe de heróis da Rússia e da União Soviética. De um lado, o corpo perfeito de uma bailarina em granito. De outro, a réplica de um tanque de guerra com canhão e tudo.
Ainda é possível ver aviões de guerra e outros adereços militares, bandeiras, instrumentos musicais, livros e, claro, artigos que remetem à corrida espacial. É assim, com estátuas, que o Cemitério Novodevichy recorda das personalidades que ali estão enterradas. Adornos que, claro, com o tempo, viraram mais uma das atrações turísticas de Moscou.
Novodevichy também é conhecido com o Cemitério dos Astronautas. É lá que está a lápide, por exemplo, do “general cosmonauta Guerman Titov, o segundo a ir para o espaço – depois de Yuri Gagarin, mas o primeiro a passar mais de um dia fora do nosso planeta”, explicou todo orgulhoso o russo Vitaly, que caminhou com a reportagem pelas arborizadas alamedas do local.
Guerman Titov era piloto da Força Aérea Soviética e, aos 26 anos, no dia 6 de agosto de 1960, subiu ao espaço a bordo da nave Vostok 2. Até hoje, é o astronauta (os russos só falam cosmonauta) mais jovem a ter saído da órbita terrestre. No voo, ele dormiu na cápsula espacial e cravou mais uma marca – foi o primeiro ser humano a dormir no espaço, além de ter sido o primeiro a sofrer de enjoo. Em 25 horas de missão, completou 17,5 órbitas em volta da Terra.
O cemitério também é repleto de personalidades da vida cultural da Rússia e da União Soviética. Uma senhora colocava uma flor no túmulo de Lyudmila Gurchenko, uma das maiores cantoras e atrizes que o país já teve. “Lyudmila é para nós como Liza Minelli é para os norte-americanos”, explicou Vitaly.
“Também não posso deixar de mostrar onde descansa Anton Chekhov”, disse, sobre o famoso dramaturgo russo, também escritor e médico. “É um dos maiores representantes da história mundial do teatro. Até hoje, suas peças são encenadas em todas as partes do planeta”.
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