Mudança com moderação
Zeca Wittner/Estadão Conteúdo Penteadeira da casa restaurada para o novo projeto Uma casa bem localizada, em um bairro onde se possa fazer tudo a pé. Com boa área externa para cultivar plantas e espaço para funcionamento de um home office, com entrada e estrutura independentes do resto da casa. Sem pagar aluguel nem altos valores […]

Zeca Wittner/Estadão Conteúdo

Penteadeira da casa restaurada para o novo projeto
Uma casa bem localizada, em um bairro onde se possa fazer tudo a pé. Com boa área externa para cultivar plantas e espaço para funcionamento de um home office, com entrada e estrutura independentes do resto da casa. Sem pagar aluguel nem altos valores de condomínio. Os requisitos da jornalista Maria Luiza Paiva pareciam muito difíceis de serem cumpridos. Mas, em uma de suas caminhadas por Perdizes, na zona oeste de São Paulo, um imóvel antigo chamou sua atenção.
“Como visitei dezenas de lugares, consegui reunir informações para fazer comparações, principalmente sobre o custo-benefício que o imóvel poderia me trazer. Não tive dúvidas e encarei o desafio, que durou três anos”, diz.A demora para finalizar o projeto não aconteceu apenas por causa da obra. A casa está em local tombado como patrimônio histórico. “A Igreja São Domingos, que fica em frente, data do final da década de 1950. O terreno também tem uma residência que pertenceu à antiga Chácara Cardoso de Almeida, do Convento Santo Alberto, de 1930.
Essas construções são protegidas e, por isso, foi necessária a aprovação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp), que acarretou em uma série de limitações no projeto, como a proibição de alterar a fachada”, explica a arquiteta responsável pela obra, Laura Alouche. A casa, a última da rua ainda com as características originais da época em que foi construída, em 1937, deveria ser preservado ao máximo. “Encontramos uma estrutura quase condenada. Pilares, vigas, batentes, telhado, tudo estava muito danificado. Foi uma obra complicada”, comenta.Era preciso querer muito morar ali para encarar tantos desafios.
Mas Maria Luiza estava apaixonada pela casa, de 280 m². “Uma reforma dessas exige muito tempo e o desgaste emocional também é grande. Mesmo assim eu estava decidida. Não queria um imóvel pensado totalmente por um arquiteto. Minha ideia era ter um lugar autêntico, para viver uma vida confortável, mas simples.”A obra começou com a demolição de todo o reboco fofo da casa, tomando cuidado para não retirá-lo de uma só vez, já que ele fazia parte também da estrutura da parede.
“Retiramos todos os acabamentos apodrecidos e desgastados, até a tinta das janelas e portas. Reforçamos a estrutura existente e recuperamos as madeiras, como as da estrutura do telhado e do piso de ipê”, explica a arquiteta.As instalações hidráulica e elétrica também foram renovadas. No pavimento superior, o banheiro original foi incorporado ao closet da suíte principal. Para a construção de mais um banheiro, foi preciso aumentar a capacidade da caixa d’água, reforçando a estrutura da cozinha, no térreo. Ali também foi aberto um vão para aumentar a passagem de luz na sala de estar. “Criamos um lavabo e um hall com espaço para guardar louças que não cabiam na cozinha.
Na parte externa, aproveitamos a área de serviço para criar um quarto de hóspedes independente e o home office, como a Maria Luiza queria.”Característica que mais chama atenção na casa, o tijolo original nas paredes foi descoberto durante a obra, depois que o reboco foi retirado. “Foi necessário rejuntar cada fiada, para substituir o reboco que retiramos. Colorimos esse rejunte de cimento com barro e impermeabilizamos toda a parede.” Para manter ainda mais o ar original da casa, portas e janelas que não tinham condições de serem mantidas foram trocadas por outras idênticas às originais, compradas em lojas de artigos de demolição.
“Abrimos janelas novas nos dormitórios, seguindo sempre o padrão original. Recuperamos a claraboia acima da escada e abrimos a porta da sala de jantar para o jardim.”Portas e gavetas de armários antigos viraram aparadores, espelhos e estantes. Pedaços de vidro e madeira se transformaram em mesas e suportes. Uma penteadeira que já estava na casa foi restaurada. A decoração também guardou a história do imóvel.
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