Mulher morta com 20 facadas será enterrada às 13h; família doou rins, fígado e córneas
Sepultamento será no Cemitério Paraíso, no Jardim Morumbi


A professora aposentada Maria Auxiliadora Claret
Arquivo Pessoal
A professora aposentada Maria Auxiliadora Claret, 63 anos, que foi esfaqueada mais de 20 vezes pelo próprio filho no Conjunto Integração, na última quinta-feira (27), em São José dos Campos, passou pela retirada de órgãos para doação antes da liberação do corpo pelo hospital.
Segundo a Secretaria da Saúde , foram captados rins, fígado e córneas da professora.
Maria Auxiliadora morreu nesta terça-feira (2), após quatro dias internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal.
O corpo está sendo velado na Urbam (Urbanizadora Municipal S/A) e o sepultamento está marcado para as 13h, no Cemitério Paraíso, no Jardim Morumbi. O velório só começou hoje porque, por conta do protocolo para doação de órgãos, o corpo só foi liberado durante a madrugada.
Para os familiares, saber que alguns órgãos da professora estavam aptos para doação trouxe conforto. Maria Auxiliadora deixa dois filhos –o autor do crime tem um irmão gêmeo.
“Foi Anderson [filho que não está preso] que manifestou interesse na doação de órgãos. O médico perguntou pra ele se ela queria isso. Ele respondeu que a mãe era alguém que sempre ajudava as pessoas em vida e, nesse momento, certamente não seria egoísta. Que ele tinha certeza que ela faria questão de doar”, disse Teresa Cristina, 47 anos, sogra do filho da professora.
Ela disse que o que confortou a família e, principalmente, o filho, foi saber que a morte dela ajudou outras pessoas. “O médico ligou pra ele [o filho] dizendo que ela tinha salvado quatro vidas. Que conseguiram tirar rins, fígado e córneas. Isso confortou muito. Para ele, é bom saber que uma parte de sua mãe ainda está viva, em algum lugar”, disse.
Velório
O clima no velório, hoje de manhã, era de muita comoção. Amigos, familiares e muitos ex-alunos da professora ainda não conseguiam acreditar na forma trágica de sua morte.
Por ter lecionado muitos anos, a professora tinha o carinho de muitos ex-alunos, que foram prestar suas últimas homenagens.
A professora Dora, como era carinhosamente chamada pelos alunos, deu aulas de ciências e matemática em várias escolas públicas da cidade. Em São José, trabalhou nas escolas Chico Triste (Vila Tatetuba), Marechal Rondon (Monte Castelo), Palmyra Santana (Vila Industrial) e Ana Cândida (Vila Industrial).
A professora Josefina Pellegrini Costa, 63 anos, que trabalhou com a Dora na escola Palmyra Santanna, disse que a alegria era sua marca. “Ela era uma pessoa muito alegre, que gostava de ajudar, tudo ela queria ajudar”, disse.
Segundo ela, todos que conheceram a professora se lembram dela com carinho. “Era uma pessoa boa. Só vai deixar boas recordações. As lembranças que tenho são as melhores. Ela sempre deixava a aula descontraída. Os alunos adoravam. Ela sempre tratava os alunos e todos com muito carinho”, disse.
A pedagoga e ex-aluna Juliana Marcondes Cordeiro, 25 anos, concorda. Ela conta que foi aluna de Dora na escola Marechal Rondon e que ela era uma professora super amiga. “Você nunca via ela triste, estava sempre animada. Eu me lembro de ver ela brincando ao chamar os nossos nomes na hora da chamada, fazendo tracadilhos com nomes de famosos. Uma pena”, lamentou.
O músico Rodolfo Ferreira, 34 anos, sobrinho da professora, contou que ela era sempre o centro das atenções. Uma pessoa sempre muito engraçada e carismática, que cativava a todos. “Ela conseguia botar os alunos na linha pelo carisma. Minha tia era sinônimo de carisma, bagunça, alegria. Uma educadora nata. Era uma pessoa que conseguia em alguns minutos atenuar todas as suas dores, sem fazer esforço”, disse.

Clima no velório foi de muita comoção, hoje de manhã
Marcus Alvarenga/Meon
O crime
Segundo informações da polícia, no dia do crime a idosa foi atingida na região da cabeça, pescoço e braços. Uma facada atingiu uma artéria do pescoço e ela teve de passar por cirurgia.
O autor do crime foi o próprio filho da vítima, um homem de 26 anos, que segundo familiares sofre de transtornos psiquiátricos. Ele foi preso em flagrante após ter confessado o crime. O caso aconteceu na casa da vítima, no Conjunto Integração, no bairro Vila Industrial.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, por volta das 23h, policiais militares foram acionados para checar uma denúncia de briga. Quando chegaram no apartamento, foram recebidos pelo suspeito, que estava com a roupa suja de sangue. A vítima estava caída no chão.
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