Chile elege José Antonio Kast e marca virada à direita na política do país

Conheça melhor o novo presidente chileno

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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O Chile elegeu neste domingo (14) o direitista José Antonio Kast como novo presidente da República, em uma eleição que marca uma mudança significativa no rumo político do país. Derrotado em 2021 pelo atual presidente de esquerda Gabriel Boric, Kast voltou à disputa com um discurso mais afinado às preocupações da população e conseguiu ampla adesão do eleitorado.

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A campanha de Kast ganhou força ao priorizar temas como segurança pública, combate ao crime organizado e controle da imigração irregular, pontos que, segundo analistas, passaram a dominar o debate político chileno diante do aumento da criminalidade e da pressão sobre os serviços públicos.

Entre as principais promessas do presidente eleito estão o fechamento das fronteiras para imigrantes em situação irregular, o reforço das ações contra facções criminosas e a redução das filas de espera no sistema público de saúde.

Trajetória política e familiar

José Antonio Kast, de perfil conservador, é filho de um imigrante alemão que integrou o partido nazista e serviu como tenente do Exército durante a Segunda Guerra Mundial. O pai deixou a Europa após o conflito e se estabeleceu no Chile, onde fundou um negócio no setor alimentício na região de Paine, ao sul de Santiago. Kast já afirmou que o pai teria sido recrutado à força pelo regime nazista.

Católico, casado há mais de 30 anos com a advogada Maria Pia Adriasola e pai de nove filhos, Kast tem uma longa trajetória política. Seu irmão mais velho, Miguel Kast, ocupou cargos de destaque durante a ditadura de Augusto Pinochet, incluindo o Ministério do Planejamento e a presidência do Banco Central, sendo um dos representantes dos chamados Chicago Boys, grupo que implementou políticas econômicas de forte viés liberal no país.

Formado em Direito, José Antonio Kast iniciou a carreira política na União Democrática Independente (UDI), partido de direita pelo qual foi deputado por mais de uma década. Em 2016, deixou a legenda para concorrer à Presidência como independente, obtendo menos de 10% dos votos. Em 2021, já à frente do Partido Republicano, fundado por ele, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Boric.

Discurso de segurança e imigração

Para especialistas, o resultado eleitoral reflete menos uma radicalização ideológica da sociedade e mais uma rejeição ao governo de esquerda. “Não é que as pessoas se tornaram mais fascistas em quatro anos. As pessoas abandonaram a esquerda e, como essencialmente não havia um centro político forte, migraram para a direita”, avalia o cientista político David Altman, da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Kast se inspirou em políticas adotadas nos Estados Unidos e em El Salvador. Ele visitou megaprisões construídas pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele e defende um modelo semelhante no Chile, além da criação de uma zona de fronteira militarizada. Também elogiou líderes como o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo criar uma força policial especializada nos moldes do ICE americano para deportação rápida de imigrantes irregulares.

Economia e costumes

No campo econômico, o presidente eleito defende leis trabalhistas mais flexíveis, redução de impostos para empresas e diminuição da regulação estatal. Embora parte de suas propostas de cortes de gastos seja considerada irrealista por analistas, aliados indicam que Kast deve moderar o discurso para incorporar pautas de outros partidos de direita.

Em temas de costumes, Kast mantém posições conservadoras. Ele já afirmou que pretende revogar os direitos limitados ao aborto no Chile e proibir a venda da pílula do dia seguinte. Apesar de ter dado menos destaque a esses assuntos durante a campanha, reiterou sua posição no último debate presidencial. “Eu apoio a vida desde a concepção até a morte natural”, declarou.

A vitória de José Antonio Kast inaugura um novo ciclo político no Chile e sinaliza uma reconfiguração do cenário ideológico no país, após anos de protagonismo da esquerda no comando do governo.

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