China faz plano para auxiliar 1,8 milhão de trabalhadores desempregados
A China divulgou detalhes de um plano para ajudar os trabalhadores demitidos das indústrias do carvão e do aço. Essa assistência incluiria aconselhamento de carreira, aposentadoria precoce e ajuda para abrir a própria empresa, entre outras medidas. As novas diretrizes anunciadas por sete ministérios chineses durante o fim de semana tiveram…

A China divulgou detalhes de um plano para ajudar os trabalhadores demitidos das indústrias do carvão e do aço. Essa assistência incluiria aconselhamento de carreira, aposentadoria precoce e ajuda para abrir a própria empresa, entre outras medidas.
As novas diretrizes anunciadas por sete ministérios chineses durante o fim de semana tiveram como base compromissos anunciados anteriormente para reestruturar as indústrias do carvão e do aço, cuja produção excessiva tem atrapalhado a economia do país, e para cuidar de um número estimado de 1,8 milhões de trabalhadores que serão deslocados. A prioridade das novas medidas está concentrada em encontrar empregos e atenuar a transição para reduzir o desemprego, que o governo autoritário vê como uma ameaça à estabilidade social.
“A colocação apropriada dos trabalhadores é a chave do trabalho para resolver o excesso de capacidade”, disse o documento emitido pelo Ministério do Trabalho, a agência de planejamento econômico superior e outros. O comunicado pede aos governos locais que “tomem as medidas oportunas para resolver os conflitos” e que “evitem ignorar a questão.”
Ao contrário de uma reestruturação de longo alcance de indústrias estatais, feita há duas décadas, Pequim está tendo uma abordagem cautelosa desta vez, o que levou alguns economistas a alertar que o ritmo prolongado pode piorar a situação. Os dados do governo divulgados sexta-feira mostraram que o ritmo da economia registrou leve melhora no primeiro trimestre, impulsionado por novos empréstimos, dívidas e investimentos em imóveis e fábricas – métodos que podem prolongar a transição para uma sociedade mais voltada ao consumo, ante um modelo que atualmente é impulsionado pelo investimento e pela indústria.
Os planos de governo pretendem reduzir em cerca de 10% a 15% o excesso de capacidade nos setores de aço e carvão nos próximos anos. Isso é menos de metade da redução que alguns analistas dizem que é necessária para trazer a oferta mais próxima do nível de demanda. E aço e carvão são apenas duas das inúmeras outras indústrias com problemas por excesso de capacidade, e que não foram abordadas pelo governo.
O grande número de ministérios que assinaram o plano datado de 07 de abril, mas que foi divulgado mais de uma semana depois, expõe a sensibilidade, importância e amplitude de recursos direcionados pela China para resolver o problema do desemprego.
Entre as medidas descritas no documento estão benefícios de aposentadoria antecipada para quem está a até cinco anos da aposentadoria compulsória – geralmente 60 anos para homens e 55 para mulheres -, feiras de emprego em empresas com pelo menos 100 trabalhadores demitidos e ajuda na realocação de trabalhadores desempregados a áreas com mais oportunidades de emprego. Formação, financiamento inicial e serviços de consultoria seriam fornecidos para os interessados em iniciar seus próprios negócios, com benefícios fiscais, empréstimos especiais e outros apoios para autônomos e empresas recém formadas.
O plano também prevê políticas para criar mais demanda de emprego, incluindo o fornecimento de apoio financeiro e de outros tipos para as empresas de alta tecnologia, relacionados com a internet ou relacionados à indústria e serviços de alto valor agregado. O plano não aborda as diferenças de habilidades necessárias para se trabalhar nas indústrias de carvão e metalúrgicos, e as demandas de empregos em empresas de tecnologia.
Apesar do enfraquecimento da economia da China – que reduziu seu crescimento para 6,7% no primeiro trimestre de 2016 – o emprego total manteve-se relativamente bem, mesmo como fábricas dispensando os trabalhadores. Segundo o governo chinês, a economia adicionou 13 milhões de novos empregos urbanos no ano passado, grande parte no setor de serviços.
Essa tendência, no entanto, deve passar por um teste, a medida que a desaceleração da economia corrói os lucros das empresas, de acordo com economistas. O setor de serviços viu perdas líquidas de emprego em março para a primeira vez em quase dois anos, de acordo com o índice de gerentes de compras privado lançado pela Caixin Media e pela empresa de pesquisa Markit Economics. Fonte: Dow Jones Newswires.
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