Fim do mundo: Cientistas ajustam Relógio do Juízo Final

Grupo citou comportamento agressivo das potências nucleares

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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Cientistas responsáveis pelo chamado “Relógio do Juízo Final” ajustaram, nesta terça-feira (27), o marcador simbólico para 85 segundos da meia-noite — o ponto teórico que representa a aniquilação da humanidade. O novo ajuste aproxima o relógio quatro segundos em relação ao ano passado, estabelecendo o momento mais crítico desde a criação do instrumento, em 1947.

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O anúncio foi feito pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, organização sem fins lucrativos sediada em Chicago, que citou o comportamento cada vez mais agressivo das potências nucleares — Rússia, China e Estados Unidos — e o enfraquecimento dos acordos de controle de armas nucleares como fatores centrais para o aumento dos riscos globais.

Segundo a entidade, conflitos armados em curso, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, além do avanço desregulado da inteligência artificial, também contribuíram para a decisão. Esta é a terceira vez, nos últimos quatro anos, que o relógio é aproximado da meia-noite.

Criado no contexto da Guerra Fria, logo após a Segunda Guerra Mundial, o Relógio do Juízo Final tem como objetivo alertar a sociedade sobre ameaças existenciais à humanidade, como armas nucleares, mudanças climáticas e tecnologias emergentes sem controle adequado.

O anúncio deste ano contou com a participação da jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2021. Em comunicado, ela alertou para o que classificou como um “apocalipse da informação”. “Estamos vivendo uma crise impulsionada por uma tecnologia extrativista e predatória, que espalha mentiras mais rápido do que fatos e lucra com a nossa divisão”, afirmou.

À agência Reuters, a presidente e CEO do Boletim, Alexandra Bell, destacou que o ajuste reflete uma falha global de liderança. “O Relógio do Juízo Final trata de riscos globais, e o que estamos vendo é uma incapacidade coletiva de enfrentá-los”, afirmou. Segundo ela, o risco de uso de armas nucleares permanece “insustentavelmente e inaceitavelmente alto”.

Bell também alertou para o colapso de estruturas diplomáticas históricas, o retorno das ameaças de testes nucleares e o aumento das preocupações com proliferação. Atualmente, o último acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, o Novo Tratado Start, expira em fevereiro. Apesar de propostas para estender o pacto, ainda não houve definição oficial.

Além dos riscos nucleares, o Boletim chamou atenção para o cenário global de instabilidade, incluindo tensões entre Índia e Paquistão, ameaças da China contra Taiwan, conflitos na Península Coreana e o aumento da retórica nacionalista entre grandes potências.

“A Rússia, a China, os Estados Unidos e outros países importantes tornaram-se cada vez mais agressivos e nacionalistas”, afirmou Bell. Segundo os cientistas, sem avanços concretos em diplomacia, cooperação internacional e controle de tecnologias sensíveis, o mundo seguirá cada vez mais próximo da meia-noite simbólica do Relógio do Juízo Final.

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