Donald Trump discursa em Davos

Veja principais pontos explorados pelo presidente americano

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta quarta-feira (21) no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em meio a tensões diplomáticas com países europeus, especialmente por causa da Groenlândia. Durante a fala, Trump afirmou que não pretende usar força militar para assumir o controle do território, atualmente sob soberania da Dinamarca, mas deixou claro que espera cooperação dos aliados e alertou que países que não colaborarem “serão lembrados”.

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Em tom provocativo, o presidente americano voltou a defender o interesse dos Estados Unidos na Groenlândia, afirmando que Washington busca “negociações imediatas” para discutir novamente a aquisição da ilha, citando precedentes históricos de expansão territorial americana e europeia. A Dinamarca, por sua vez, tem reiterado que a Groenlândia “não está à venda”.

“Tenho muito respeito pelo povo da Groenlândia, mas todo aliado da Otan tem a obrigação de ser capaz de defender seu próprio território. O fato é que nenhuma nação, exceto os Estados Unidos, está em condições de garantir a segurança da Groenlândia”, declarou Trump.

Apesar de garantir que não recorrerá à força contra a Dinamarca, o republicano voltou a afirmar que deseja o território por “direito, título e propriedade”. Ele também mencionou a intenção de construir na ilha a “maior Cúpula Dourada já construída”, um sistema de defesa antimísseis semelhante ao Domo de Ferro de Israel, alegando que a Groenlândia teria papel estratégico em caso de um conflito nuclear.

Segundo Trump, a estrutura também beneficiaria o Canadá, país que, de acordo com ele, “recebe muitas coisas de graça” dos Estados Unidos. O presidente afirmou ainda que a posse da ilha é fundamental para a segurança nacional e internacional, reforçando o discurso de contenção à influência da Rússia e da China no Ártico.

Críticas à Otan e à Europa

Durante o discurso, Trump voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmando que os Estados Unidos foram tratados de forma injusta ao longo dos anos. Apesar disso, disse ter feito mais pela aliança do que qualquer outro presidente, especialmente ao pressionar países-membros a aumentarem seus gastos com defesa.

Ele também questionou se a Otan estaria disposta a apoiar os EUA em um momento de necessidade e afirmou que o objetivo da aliança deve ser proteger a Europa da “União Soviética que é a Rússia”, em referência ao governo russo.

Trump ainda criticou duramente a política ambiental europeia, culpando a “esquerda radical” pela crise energética no continente. Segundo ele, os Estados Unidos evitaram um colapso energético ao não aderirem, em sua visão, ao que chamou de “farsa verde”. O presidente citou a Alemanha e o Reino Unido como exemplos de países que, segundo ele, tomaram decisões equivocadas no setor energético.

Comércio, tarifas e conflitos internacionais

O presidente americano também voltou a defender a aplicação de tarifas comerciais, afirmando que acordos com países parceiros impulsionam o crescimento econômico global. Segundo Trump, quando os Estados Unidos crescem, “todos os outros crescem também”.

Sobre política externa, Trump comentou a situação na Ucrânia, dizendo acreditar que tanto o presidente russo Vladimir Putin quanto o ucraniano Volodymyr Zelensky desejam fechar um acordo. Ele também citou a Venezuela, afirmando que o país irá faturar mais nos próximos meses após ações adotadas por Washington e confirmou a compra de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano pelos EUA.

Reações e críticas europeias

Após o discurso, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, criticou reações de países europeus, chamando a postura do presidente francês Emmanuel Macron de “provocativa” e a do Reino Unido de “decepcionante”. Ele também minimizou a decisão da Dinamarca de reduzir investimentos em títulos do Tesouro americano.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em pronunciamento no Parlamento Europeu que a União Europeia prioriza o diálogo com os Estados Unidos, mas alertou que o bloco está “totalmente preparado para agir”, se necessário, para defender seus interesses e a segurança do Ártico.

Von der Leyen anunciou ainda planos para ampliar investimentos europeus na Groenlândia e fortalecer acordos de segurança com parceiros como Canadá, Noruega e Reino Unido.

Previsto inicialmente para durar 45 minutos, o discurso de Trump em Davos se estendeu por 1h12, encerrando-se com elogios à plateia e a afirmação de que a Europa precisa “redescobrir o espírito” que, segundo ele, construiu o Ocidente.

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