Macron confirma que França votará contra acordo UE-Mercosul

Presidente francês reforça oposição ao tratado em reunião decisiva nesta sexta (9)

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto2 min de leitura
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A novela do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul ganhou um capítulo dramático nesta quinta-feira (8). O presidente francês, Emmanuel Macron, comunicou oficialmente que a França votará contra a ratificação do tratado. A posição será levada à reunião de embaixadores em Bruxelas amanhã, colocando Paris na liderança da resistência ao pacto negociado há 25 anos.

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Resistência Francesa e Protecionismo

Macron justifica a negativa citando a proteção dos agricultores franceses, que temem a concorrência de produtos sul-americanos com padrões ambientais e sanitários distintos. Nesta quinta, manifestações de produtores rurais tomaram as ruas de Paris.

• Barreira Sanitária: Como sinal de pressão, a França suspendeu temporariamente a importação de frutas e batatas da América do Sul tratadas com fungicidas proibidos na Europa (como o mancozeb e o benomil).

• Aliados no “Não”: Irlanda, Hungria e Polônia acompanham a França na oposição.

• O Bloco do “Sim”: Alemanha e Espanha

Em contrapartida, as maiores potências industriais da Europa defendem o acordo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, veem no tratado uma forma de reduzir a dependência da China e mitigar tarifas impostas pelos EUA. “Decisões precisam ser tomadas agora para manter a credibilidade comercial da UE”, afirmou Merz.

A reviravolta Italiana

A Itália, que antes se mostrava reticente, deu sinais de que votará a favor do acordo. A mudança de postura da primeira-ministra Giorgia Meloni ocorreu após a Comissão Europeia propor um pacote de 45 bilhões de euros em subsídios para acalmar os agricultores italianos.

Próximos Passos

• Sexta-feira (9): Conselho da UE decide se autoriza a assinatura. Para aprovação, são necessários 15 dos 27 países (representando 65% da população).

• Segunda-feira (12): Se aprovada, Ursula von der Leyen deve assinar o tratado formalmente no Paraguai.

Para o Brasil, o acordo é estratégico: abre um mercado de 451 milhões de consumidores e beneficia não apenas o agronegócio, mas diversos setores da indústria nacional.

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