França prende mais de 1,3 mil após protestos

Mais de 40 mil policiais foram até mobilizados para patrulhar cidades

Escrito por: Meon4 min de leitura
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A França foi abalada por uma onda de protestos depois que um jovem de 17 anos foi baleado e morto pela polícia perto de Paris na terça-feira (27), provocando a proibição de manifestações em algumas cidades, alertas contra viagens e reacendendo um debate sobre o excesso de policiamento em comunidades marginalizadas.

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Durante os protestos, veículos foram incendiados e prédios depredados. Houve confronto entre policiais e manifestantes. Mais de 1.300 pessoas foram presas e mais de 200 policiais ficaram feridos

A agitação gerou uma resposta à crise do presidente francês Emmanuel Macron, que realizou uma reunião de emergência com ministros enquanto tenta superar as divisões e unir o país em seu segundo mandato.

O que causou os protestos na França?

Um policial matou a tiros o adolescente Nahel, que era de ascendência argelina, durante uma blitz no subúrbio parisiense de Nanterre, no início desta semana.

Imagens do incidente mostraram dois policiais parados do lado do motorista do carro, sendo que um disparou sua arma contra o jovem, apesar de não parecer enfrentar nenhuma ameaça imediata.

O policial disse que disparou porque estava com medo de que o menino atropelasse alguém com o carro, informou o promotor de Nanterre, Pascal Prache.

Prache pontuou que se acredita que o policial agiu ilegalmente ao usar sua arma. Atualmente, ele está enfrentando uma investigação formal por homicídio e foi colocado em prisão preventiva.

O que aconteceu desde então?

Os manifestantes carregavam cartazes que diziam “a polícia mata” e centenas de prédios do governo foram danificados, enquanto a morte de Nahel aumenta a raiva pelo preconceito racial no país.

Noites sucessivas de violência em toda a França e seus territórios ultramarinos, por sua vez, levaram as autoridades francesas a lançar uma repressão.

Mais de 40 mil policiais foram mobilizados para patrulhar cidades em todo o país, 1.311 pessoas foram presas e mais de 200 policiais ficaram feridos.

Somente em Paris, 5 mil agentes de segurança foram mobilizados. Os oficiais receberam poderes para reprimir tumultos, fazer prisões e “restaurar a ordem republicana”, disse o ministro do Interior francês, Gerard Darmanin.

Ele disse que 2.560 incêndios foram relatados em vias públicas, com 1.350 carros queimados, e que houve 234 incidentes de danos ou incêndios em edifícios.

Questões sobre preconceito foram levantadas?

Ativistas acreditam que a raça de Nahel foi um fator para sua morte, revelando tensões profundas sobre a discriminação policial contra comunidades minoritárias na França.

O secularismo – conhecido como “laïcité” em francês – é um fundamento da cultura francesa, pois busca defender a igualdade para todos, apagando “marcadores de diferença”, incluindo raça.

Mas muitos negros na França dizem que têm mais probabilidade de serem vítimas da brutalidade policial do que os brancos.

Um estudo de 2017 da Rights Defenders, uma organização independente de direitos humanos na França, descobriu que jovens considerados negros ou árabes tinham 20 vezes mais chances de serem parados pela polícia do que seus pares.

Acusações de brutalidade há muito atormentam a polícia francesa. O Conselho da Europa criticou o “uso excessivo da força por agentes estatais” em um comunicado no início deste ano durante protestos contra as impopulares reformas previdenciárias de Macron.

Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, acusaram a polícia francesa de discriminação étnica e recomendaram reformas profundas e sistêmicas para lidar com a discriminação.

A ONU pediu à França que aborde “questões profundas de racismo e discriminação na aplicação da lei”, nos primeiros comentários da agência desde o assassinato.

Em comunicado divulgado na sexta-feira (30), um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos instou as autoridades francesas a “garantir que o uso da força pela polícia para lidar com elementos violentos em manifestações sempre respeite os princípios de legalidade, necessidade, proporcionalidade, não discriminação, precaução e responsabilidade.”

O Ministério das Relações Exteriores da França posteriormente rejeitou os comentários da ONU, dizendo: “A França e suas forças policiais lutam com determinação contra o racismo e todas as formas de discriminação. Não pode haver dúvidas sobre esse compromisso”.

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