Empresas perdem R$ 166,4 bilhões com tensão no Oriente Médio

Ibovespa despenca 3,28%

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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As empresas listadas na B3 perderam R$ 166,4 bilhões em valor de mercado no pregão desta terça-feira (3), segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. A queda ocorre em meio ao aumento da aversão global ao risco diante da escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

No dia, o Ibovespa recuou 3,28%, registrando a queda mais intensa desde dezembro. O movimento refletiu o temor de impactos econômicos globais, especialmente relacionados à possível interrupção no fornecimento de petróleo e ao avanço das pressões inflacionárias.

Petróleo em alta pressiona expectativas

Os investidores demonstraram preocupação com interrupções prolongadas na distribuição de energia e seus reflexos na inflação mundial.

Segundo Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, o agravamento das tensões no Oriente Médio aumentou o receio de interrupção no fornecimento global de petróleo.

“Com o petróleo em alta, crescem as preocupações com inflação global. Isso faz os investidores reverem expectativas de cortes de juros e adotarem postura mais defensiva”, afirmou.

Em momentos de maior incerteza, é comum que o mercado reduza exposição a ativos de risco — como ações e moedas de países emergentes — e busque proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Blue chips lideram perdas

As maiores empresas do Ibovespa — que vinham sustentando um rali recente — concentraram a maior parte das perdas. As dez companhias com maior redução de valor de mercado responderam por R$ 97,7 bilhões do total evaporado no pregão.

No ranking estão sete das dez maiores empresas do índice. De acordo com Lisboa, praticamente todos os setores da bolsa registraram perdas, com destaque para bancos, varejo e companhias ligadas ao consumo interno.

A exceção ficou com as petroleiras, beneficiadas pela alta do petróleo no mercado internacional.

Maior empresa do Brasil e da América Latina, a Petrobras registrou leve recuo: as ações preferenciais caíram 0,44%, enquanto os papéis ordinários recuaram 0,74%.

Analistas avaliam que o comportamento do mercado nos próximos dias dependerá da evolução do conflito e da intensidade dos impactos sobre os preços da energia e as expectativas de política monetária global.

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