Iraque: militantes islâmicos ocupam cidade de Mosul
Militantes islâmicos ocuparam partes de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, expulsando as forças de segurança de seus postos e ocupando sedes do governo provincial, bases de polícia e outras importantes construções. Diante do poderoso ataque da insurgência, o primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, pressionou o parlamento para declarar estado…

Militantes islâmicos ocuparam partes de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, expulsando as forças de segurança de seus postos e ocupando sedes do governo provincial, bases de polícia e outras importantes construções. Diante do poderoso ataque da insurgência, o primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, pressionou o parlamento para declarar estado de emergência.
Os insurgentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo extremistas que era associado à Al-Qaeda, e as tropas iraquianas têm lutado por dias nos arredores de Mosul, capital da província de Nínive, a maior exportadora de petróleo do país e porta de entrada para a Síria. Mas, na noite de segunda-feira e madrugada de hoje, as forças do governo pareciam em colapso.
Os combatentes invadiram a sede do governo provincial de Nínive, um símbolo do controle do estado, e as forças de segurança fugiram de seus postos. Os rebeldes tomaram conta de delegacias, bases militares e penitenciárias, capturando armas e libertando prisioneiros.
Hoje, os moradores disseram que os militantes pareciam estar no controle de várias partes de Mosul, hasteando bandeiras pretas, que são a marca do grupo Estado Islâmico. Há relatos também parte da população saiu da cidade, incluindo o governador provincial, o sunita Atheel al-Nujaifi.
Em coletiva de imprensa transmitida pela TV, al-Maliki pediu ao parlamento para declarar o estado de emergência, reconhecendo que os militantes haviam tomado o controle de “áreas vitais em Mosul”. O premiê disse que a população e o governo devem se unir “para enfrentar esse vicioso ataque, que não poupará nenhum iraquiano”.
A TV estatal relatou que o parlamento iria apreciar o pedido de estado de emergência nesta quinta-feira. Nos termos da Constituição, o parlamento pode declarar força maior por 30 dias se for aprovado por dois terços de seus membros, concedendo, assim, maiores poderes para o premiê governar o país, entre os quais a possibilidade de imposição de toques de recolher, restrição a movimentos públicos e censura da mídia.
“O que aconteceu é um desastre sem precedentes”, disse o presidente do Parlamento do Iraque, Osama al-Nujaifi, irmão do governador de Nínive. “A presença destes grupos terroristas nesta vasta província não ameaça apenas a segurança e a unidade do Iraque, mas de todo o Oriente Médio.”
Recuperar Mosul representa um desafio assustador para al-Maliki e seu governo. A cidade tem uma maioria muçulmana sunita e muitos na comunidade já são contrários ao atual governo, que é liderado por xiitas.
Durante os quase nove anos de presença americana no país, Mosul foi um importante reduto para a Al-Qaeda e foi onde os EUA e as forças iraquianas realizaram repetidas ofensivas na tentativa de retomar o controle. Porém, nunca conseguiram exterminar os insurgentes completamente.
No início deste ano, o grupo capturou a cidade de Falluja, localizada no oeste do país, e o governo central não foi capaz de retomá-la após meses de luta. Fonte: Associated Press.
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