Protestos no Irã se intensificam e organizações denunciam repressão violenta

ONGs relatam dezenas de mortos em todo o país

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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Organizações internacionais de direitos humanos acusaram, nesta quinta-feira (8), as forças de segurança do Irã de atirar contra manifestantes durante protestos que já se espalham por todo o país e teriam deixado dezenas de mortos. As manifestações, iniciadas no fim de dezembro, são motivadas principalmente pela grave crise econômica, agravada pela forte desvalorização do rial e pelos efeitos prolongados de sanções internacionais.

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Os protestos começaram em Teerã, após o fechamento de um mercado popular no dia 28 de dezembro, quando a moeda iraniana atingiu mínimas históricas. Desde então, o movimento ganhou força e passou a questionar diretamente a legitimidade do governo islâmico, tornando-se o maior levante popular no país desde as manifestações de 2022 e 2023, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, sob custódia policial.

Segundo a Human Rights Activists News Agency (Hrana), com sede nos Estados Unidos, manifestações foram registradas em 348 localidades, abrangendo as 31 províncias iranianas. Vídeos verificados por agências internacionais mostram grandes concentrações de pessoas em importantes avenidas de Teerã, além do fechamento de comércios e bazares em cidades como Tabriz e Bandar Abbas, um dos principais polos da indústria petrolífera do país.

A ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou que ao menos 45 manifestantes foram mortos, entre eles oito menores de idade. De acordo com a entidade, a quarta-feira foi o dia mais violento desde o início dos protestos, com 13 mortes confirmadas. Ainda segundo a IHR, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2 mil foram presas.

“As evidências mostram que a repressão se torna mais violenta e abrangente a cada dia”, afirmou o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, que pediu uma ação urgente da comunidade internacional para evitar o que chamou de “assassinato em massa de manifestantes”.

A Anistia Internacional também denunciou o uso de “força ilegal” pelas autoridades iranianas, acusando as forças de segurança de ferirem e matarem manifestantes e civis, além de invadirem hospitais para deter pessoas feridas. Imagens divulgadas pela Hrana mostram, segundo a entidade, agentes atirando contra manifestantes na cidade de Kermanshah.

O governo iraniano confirma ao menos uma morte do lado das forças de segurança. De acordo com a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária, um policial foi morto a facadas a oeste de Teerã durante o controle dos distúrbios.

Diante da escalada da violência, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu contenção às forças de segurança e afirmou que é preciso diferenciar manifestantes motivados por dificuldades econômicas de “desordeiros” que ameaçam a segurança nacional. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, defendeu o diálogo e classificou os manifestantes como “nossos filhos”.

Já o chefe do Judiciário, Gholamhosein Mohseni Ejei, adotou um tom mais duro, afirmando que não haverá clemência para quem “ajudar o inimigo” e acusando Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país.

No cenário internacional, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou “atingir com força” o Irã caso o governo continue reprimindo os protestos com mortes. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, também condenou o “uso excessivo da força” contra civis.

Paralelamente, organizações de monitoramento digital relataram um apagão quase total da internet no país. Segundo a Netblocks, o Irã enfrenta um bloqueio nacional da rede, com dados da Cloudflare indicando uma queda de cerca de 90% no tráfego online. A medida dificulta a saída de informações do país e já havia sido adotada em protestos anteriores.

Antes do bloqueio, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e líder da oposição no exílio, convocou novos protestos em larga escala e alertou que o corte da internet poderia ser usado para impedir a divulgação da repressão.

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