Tribunal mantém proibição ao uso de véus na França
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos confirmou nesta terça-feira a proibição da França em usar véu em público, rejeitando os argumentos de que a proibição prejudica as liberdades religiosas e de expressão no país. A decisão é uma vitória para os governos da França e da Bélgica, que aprovaram leis que proíbem o uso de véus e outras peças de…

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos confirmou nesta terça-feira a proibição da França em usar véu em público, rejeitando os argumentos de que a proibição prejudica as liberdades religiosas e de expressão no país.
A decisão é uma vitória para os governos da França e da Bélgica, que aprovaram leis que proíbem o uso de véus e outras peças de vestuário que escondem todo o rosto, e dá jurisprudência para que outros governos europeus decretem impedimentos semelhantes. O governo francês alega que a proibição de três anos ajudou a proteger a segurança pública do país, bem como também as mulheres forçadas a usar roupas que cubram o rosto, mas os adversários criticam a decisão, classificando-a como antimuçulmana e desrespeitosa em relação às minorias religiosas.
A proibição francesa tinha sido desafiada por uma jovem muçulmana que disse que alegou usar o véu e a burca de forma voluntária, sem qualquer pressão do marido ou da família. A jovem, que nasceu em 1990 e é identificada apenas pelas iniciais SAS, reivindicava o direito de manifestar a sua fé. Ela argumentou que a proibição francesa violou sua liberdade religiosa e colocá-la em risco de discriminação e assédio.
Em 2010, a França aprovou uma lei contra o uso de vestimentas que escondessem o rosto em espaços públicos, que entrou em vigor na primavera seguinte. Poucos meses depois, uma proibição entrou em vigor na Bélgica. E em 2013, os cidadãos do cantão de Ticino, na Suíça, votaram a favor de um impedimento similar.
Todas essas leis foram aprovadas sob a alegação de que os véus são um risco para a segurança, uma vez que pode esconder a identificação das pessoas, o que foi aceito pelo alto tribunal. Em seus argumentos ao Tribunal Europeu, o governo francês também disse que mostrar o rosto em público é um dos “requisitos mínimos da vida em sociedade.”
Grupos de direitos humanos civis rejeitaram a decisão, que não pode ser objeto de recurso. “Vindo de uma época em que a hostilidade às minorias étnicas e religiosas está aumentando em muitas partes da Europa, a decisão do tribunal é uma oportunidade perdida de reafirmar a importância da igualdade de tratamento para todos e o direito fundamental à crença religiosa e de expressão”, disse James A. Goldston, diretor da Open Society Justice Initiative, que entrou com uma intervenção de terceiros no caso.
Romain Nadal, porta-voz do Ministério do Exterior da França, disse que o governo estava satisfeito com a decisão, que segundo ele reflete o compromisso da França com a igualdade de gênero.
Na França, as mulheres que forem pegas vestindo véus ou burcas têm de pagar 150 euros de multa e podem ser condenadas a ter uma aula sobre valores republicanos no país. Fonte: Dow Jones Newswires.
Posts Relacionados

Visto americano: nova regra limita a três as mudanças em entrevistas

Padre morre após ser atingido por cruz durante missa transmitida ao vivo no Equador

Papa Leão XIV recebe alta hospitalar após cirurgia para tratar câncer de pulmão
