Ucrânia critica comentários do Papa sobre guerra com a Rússia
Embaixador do Vaticano intervém em crise

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia convocou seu núncio papal nesta segunda-feira, para expressar sua “decepção” com os recentes comentários do Papa Francisco, que intimou a Ucrânia a buscar a paz com a Rússia. O pontífice, em uma entrevista à emissora suíça RSI, afirmou que a Ucrânia deveria “demonstrar a coragem da bandeira branca” e iniciar negociações para encerrar o conflito que já dura dois anos.
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O embaixador do Vaticano na Ucrânia foi informado de que o Papa deveria evitar declarações que “legitimem o direito do poder e incentivem ainda mais desrespeitos às leis internacionais”, conforme declarado em um comunicado no site do ministério.
O comunicado também destacou a expectativa de que o Papa “envie sinais à comunidade internacional sobre a necessidade de unir forças imediatamente para garantir a vitória do bem sobre o mal”. Enfatizou-se que a Ucrânia busca a paz de maneira diligente, porém, essa paz deve ser justa e fundamentada nos princípios da Carta das Nações Unidas, além da fórmula de paz proposta pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Zelensky, por sua vez, rebateu os comentários papais no último domingo, sem mencioná-los diretamente, argumentando que figuras religiosas distantes não deveriam se envolver em “mediação virtual entre alguém que quer viver e alguém que quer destruí-lo”.
O plano de paz apresentado pelo presidente ucraniano inclui a retirada das tropas russas, o retorno às fronteiras de 1991 da Ucrânia e o devido processo legal para responsabilizar a Rússia por suas ações. No entanto, a Rússia rejeita a possibilidade de negociar com base nessa premissa.
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