Navi Pillay ganha Nobel da Paz 2026 por defesa dos direitos humanos e do direito internacional
Jurista sul-africana de 85 anos atuou na luta contra o apartheid, defendeu Nelson Mandela e liderou investigação da ONU sobre a guerra em Gaza

A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9). O Comitê Norueguês do Nobel reconheceu sua trajetória em defesa da paz, dos direitos humanos e do direito internacional, com atuação em tribunais internacionais e organismos das Nações Unidas.
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana tâmil, Navanethem “Navi” Pillay cresceu durante o regime do apartheid, marcado pela segregação racial. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal e atuou na defesa de ativistas contrários ao regime, entre eles Nelson Mandela e outros presos políticos.
Ao longo da carreira, Pillay ocupou posições de destaque no sistema internacional de Justiça. Foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou crimes relacionados ao genocídio de 1994, e integrou o Tribunal Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, também exerceu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Atuação em investigação sobre Gaza
Um dos trabalhos mais recentes de Pillay foi a presidência de uma comissão independente de investigação da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza. Israel rejeitou as conclusões do relatório e contestou as acusações.
A decisão do Nobel também ocorre em um contexto de pressão sobre instituições internacionais e sobre os mecanismos de responsabilização por crimes de guerra e violações de direitos humanos.
Ao justificar a escolha, o Comitê Norueguês destacou a contribuição da jurista para que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídios sejam investigados e levados à Justiça. A premiação, segundo o comitê, reforça a importância do direito internacional em um cenário de conflitos e desafios à ordem jurídica global.
Atualmente, Pillay atua como juíza na Corte Internacional de Justiça em um processo relacionado à acusação de genocídio contra Mianmar, envolvendo a perseguição à população rohingya. Sua trajetória reúne décadas de trabalho na defesa dos direitos humanos, desde a luta contra o apartheid na África do Sul até os tribunais internacionais.
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