No Dia das Crianças, o melhor presente pode ser brincar
Diretora pedagógica explica que, ao brincar de faz de conta, por exemplo, a criança demonstra sentimentos, angústias, alegrias, incômodos e impressões do dia a dia

Numa sociedade em que as pessoas precisam trabalhar e quase não têm tempo de qualidade para si próprias e para a família, brincar com os filhos pequenos pode ser o melhor presente neste Dia das Crianças.
“O brincar é fundamental para a formação da criança. pois ela se apropria da realidade, estabelece as suas relações sociais e utiliza toda a sua corporeidade, nas suas dimensões motora, cognitiva e afetiva”, explica Rogéria Sprone, Diretora Pedagógica do Colégio Joseense, em São José dos Campos.
Segundo a educadora, ao brincarem, as crianças imitam a realidade. Esse é o modo como descobrem coisas novas e adquirem novas habilidades e pontos de vista. Nessa fase, contar e interpretar histórias é super importante.
“Quando brinca de faz de conta, a criança assume papéis, desenrola um enredo e constrói interações. Através dessa representação ela demonstra sentimentos, angústias, alegrias, incômodos e suas impressões do dia a dia. Elas conseguem expressar suas dificuldades, contradições e se sentem motivadas a lidar com o acaso, uma vez que a história é construída no desenrolar da brincadeira”, complementa.

Para Renata Machado, mãe da Alice, de três anos, nem a rotina atarefada é pretexto para não passar tempo com a filha. “Ela gosta de me ajudar a fazer comida, tento fazer ela participar das atividades normais do dia a dia”, o que, para Alice, é diversão.
A pequena, no entanto, tem outros “compromissos” na agenda. Vai à escola, “é bem envolvida nas atividades e sempre fala dos amiguinhos”.
“Ela não gosta muito de brincar sozinha, quando não tem outra criança, quer que eu ou pai brinquemos com ela. A Alice brinca bastante de boneca e casinha; gosta de ir ao parquinho. Brinca com tudo que você imagina: na água, com terra, com os bichos que ela acha na terra”, descreve a mãe, orgulhosa.

Alice também brinca com seu gatinho. Segundo estudos, os amigos de quatro patas estimulam a afetividade e contribuem para o desenvolvimento motor, comunicação interpessoal e expressão.
Embora sejam uma forma de entretenimento prática para os pais, Renata evita as telas. “Raramente deixo ela pegar meu celular. Quando assiste desenho, é na televisão, mas tento não deixá-la muito tempo com a TV”.
De fato, os aparelhos já são parte da rotina dos pequenos. “A gente vai ao restaurante e vê as crianças com tablet, telefone na mão, enquanto os pais conversam; a criança não participa da interação. A tecnologia veio para ficar. Nessa pandemia, vemos que, bem utilizada, é ótima, mas precisa ter bom senso, o responsável precisa saber o que a criança está vendo ou jogando”, acrescenta a diretora pedagógica.
“O pai precisa assistir com ela. O tempo é uma questão muito importante, é preciso selecionar a hora que começa e termina (de jogar ou assistir). “(…) Nesse momento de pandemia, é importante que a criança tenha alguém para brincar junto e interagir em diversas atividades: criação e contação de histórias, jogos, fantasias, exercícios de movimento (pega-pega, esconde-esconde, entre outros), são exemplos de brincadeiras importantes para essa fase”, sugere a educadora.

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