Nova estatal aeroespacial afeta diretamente empresas e institutos de pesquisa da RMVale

Temer deve enviar em breve projeto de criação da Alada

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Inpe será um dos institutos diretamente afetados pela criação da nova estatal Alada

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Enquanto ainda se discute a venda do setor comercial da ex-estatal Embraer para a empresa norte-americana Boeing e a poucos meses do fim do governo Michel Temer, o presidente deve enviar ao Congresso projeto para criação de uma nova estatal aeroespacial: a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.).

A proposta, que deve ser enviada à Câmara dos Deputados logo após a eleição, começou a ser elaborada em 2015. A nova empresa terá como  foco principal projetos e tecnologias aeroespaciais para atender a segurança nacional e o desenvolvimento do mercado de produtos de defesa, promovendo a integração de empresas e segmentos da cadeia produtiva do setor.

O setor espacial mundial movimenta cerca de U$ 330 bilhões ao ano e com a nova empresa o governo pretende conquistar uma fatia desse mercado.

RMVale

A proposta do governo, se aprovada pelo Congresso, terá impacto direto no setor industrial e de tecnologia da RMVale, principalmente em São José dos Campos, onde está concentrada grande parte da cadeia produtiva e dos projetos de pesquisa voltados ao setor aeroespacial.

Sem muita euforia, a eventual criação da Alada é aprovada pelo SindCT (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial) e empresários do setor aeroespacial. Segundo eles, resultados positivos dependerão muito do formato e condução da nova empresa.

“A ideia é boa, pode dar certo. Acho importante sair desse marasmo, o setor está parado há muito tempo. E tem que ser estatal porque é um setor de interesse nacional, mas o governo precisa estabelecer e cumprir um programa, prioridades”, disse César Silva, diretor regional do Ciesp em São José e presidente da Akaer, empresa que atua no setor aeroespacial.

Segundo ele, a expectativa é bastante positiva. “Essa movimentação pode gerar uma série de negócios e oportunidades para empresas da região”, disse.

O presidente do SindCT  (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial), Ivanil Elisiario Barbosa, também acredita que a nova estatal pode gerar benefícios e vantagens para o Brasil, tanto no setor industrial quanto no de pesquisa, porém não está muito confiante nos resultados.

“Tudo depende do formato da nova empresa. Se for para envolver  as empresas e pesquisadores brasileiros, será ótimo. Mas se não forem estabelecidas regras claras, transparência, os institutos de pesquisa, como Inpe e o DCTA,  vão sofrer ainda mais esvaziamento”, disse Barbosa.

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