‘Novela’ da venda da TAP pode acabar nesta 5ª feira

Os ministros portugueses vão discutir hoje as propostas de compra da companhia aérea estatal TAP, que está em fase de privatização. De acordo com informações do governo português, o anúncio da decisão sobre quem comprará a empresa está previsto para hoje, mas pode ser adiado se os ministros solicitarem um prazo maior para avaliar as propostas….

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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Os ministros portugueses vão discutir hoje as propostas de compra da companhia aérea estatal TAP, que está em fase de privatização. De acordo com informações do governo português, o anúncio da decisão sobre quem comprará a empresa está previsto para hoje, mas pode ser adiado se os ministros solicitarem um prazo maior para avaliar as propostas. Os grupos que disputam a TAP são liderados pelos controladores das companhias aéreas brasileiras Azul e Avianca – os empresários David Neeleman e Germán Efromovich, respectivamente.

“Nunca estivemos tão perto da conclusão do processo de privatização”, disse ao jornal O Estão de S. Paulo o presidente da TAP, Fernando Pinto. “Fizemos estudos sobre as vantagens financeiras e estratégicas de cada uma das propostas. Essa análise está nas mãos do governo e a decisão final é dos ministros”, disse o executivo, sem informar os detalhes sobre as propostas recebidas.

De acordo com Pinto, o processo de due dilligence (checagem financeira) da empresa já foi feito. Após a decisão do governo português, a concretização da venda ainda depende do aval das autoridades regulatórias de concorrência e aviação de Portugal.
Hoje a TAP voa para 88 destinos em 38 países com uma frota de 77 aviões. A empresa atraiu investidores brasileiros porque é forte no País. A TAP opera 84 voos semanais para o Brasil – rotas transportaram cerca de 40% de seus passageiros em 2014. Com dívida estimada em 1 bilhão, a TAP conta com o processo de privatização para receber uma injeção de capital.

Terceira rodada

Essa é a terceira vez que o governo português tenta privatizar a TAP. A primeira tentativa, em 2000, fracassou quando a Swiss Air, vencedora do leilão, desistiu do negócio. Em 2012, o governo português só conseguiu atrair um interessado pela empresa – Germán Efromovich, da Avianca – e recusou sua proposta. Desta vez, o governo colocou à venda uma fatia de 66% da empresa, sendo 61% para investidores privados e 5% para os trabalhadores da companhia.

Em maio, na primeira fase do processo de privatização que está em curso, o governo português recebeu propostas de três grupos interessados na empresa. Além de Neeleman e Efromovich, o empresário português Miguel Pais do Amaral entrou na disputa, mas sua proposta foi desclassificada e não seguiu para a segunda fase.

Depois de receber o aval do governo português, Neeleman e Efromovich apresentaram no último dia 5 a versão mais detalhada de seus planos. O conteúdo não foi divulgado, mas, segundo a imprensa portuguesa, incluem planos de renovação da frota da TAP.

Resistência

A privatização da TAP enfrenta resistência de grupos da sociedade civil e dos trabalhadores. Em maio, quatro sindicatos ligados à aviação, entre eles o de pilotos, divulgaram carta contra a venda da empresa. Os sindicatos organizaram diversas greves nos últimos meses e chegaram a suspender o processo de venda por duas vezes, mas o governo português destravou o processo, alegando “interesse público”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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