Novembro mais seco da história coloca Paraibuna no volume morto

Represa opera com apenas 1,02% de seu volume e preocupa especialistas

Escrito por: Elaine Rodrigues5 min de leitura
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Represa de Paraibuna opera com 1,02% de sua plena capacidade

Flávio Pereira/Meon

A RMVale acaba de viver o novembro mais seco dos últimos 50 anos. Segundo levantamento feito pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) do Governo Federal, a estiagem faz de 2014 o ano com a menor quantidade de chuvas da história da região.

No décimo primeiro mês deste ano choveu cerca de 150 mm no Vale do Paraíba. A média histórica para o mês de novembro, segundo o Cemaden, é de 250 mm.

A seca é tão rigorosa que a represa de Paraibuna, um dos maiores reservatórios de água do Estado, está prestes a zerar seu volume útil. Nesta quarta-feira (10), o reservatório operava com apenas 1,02% de sua plena capacidade. Já o volume total da bacia do Paraíba do Sul, que abastece 3,7 milhões de pessoas no Vale do Paraíba, atingiu 3,1%.

Desde junho de 2013 os reservatórios da região registram queda na quantidade de água armazenada. Em uma média, o volume útil dos mananciais caí cerca de 10 pontos percentuais por trimestre. Seguindo os dados históricos, a previsão é que, sem grandes chuvas, Paraibuna atinja seu volume morto na próxima semana.

O uso da reserva técnica pode gerar problemas em alguns reservatórios, dizem especialistas. “O problema não é apenas o quanto de água temos, mas a qualidade dos reservatórios. Santa Branca, por exemplo, se fica vazio, começa a ter algas, o que poluí a água. A água mais profunda precisa ser tratada de forma diferente, o que aumentam os custos. Temos que economizar, usar a reserva técnica, apesar de seu tamanho, não é a opção”, alertou o geólogo e especialista em recursos hídricos Edilson de Paula Andrade.

Chuvas 
Apesar da previsão de chuva para a próxima semana no Estado de São Paulo, a meteorologista e pesquisadora Ana Barbara Melo, do Cemaden, explica que a Região Metropolitana do Vale do Paraíba está numa área de baixa previsibilidade, o que dificulta precisar quando e onde pode realmente chover.

“Na verdade os sistemas que condicionam a chuva em São Paulo, são os que geralmente se posicionam mais ao norte ou mais ao sul do Brasil. Mas aqui na região não há um sistema frontal, de deslocamento fácil de prever. Se uma frente fria ficar mais ao norte, pode não chover aqui por exemplo”, explica.

Pesquisa feita a pedido do Meon pela meteorologista revela que a seca na região é a maior da história e o quadro pode não melhorar no próximo trimestre. “Tivemos uma reunião para avaliar o clima até fevereiro e as previsões que fizemos mostram chuvas ainda abaixo da média. Como outros modelos meteorológicos mostravam outras possibilidades, ficamos no consenso de que pode chover acima da média no estado. Mas, como disse, o Vale é difícil de prever a longo prazo, precisão mesmo apenas com uma semana de antecedência”, afirmou Ana.

Interligação
Apesar do governo de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro terem chegado a um acordo sobre a interligação da bacia do Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, os conselhos e prefeituras que vivem às margens das represas no Vale do Paraíba ainda temem o impacto da medida na região.

“Estão querendo nos matar outra vez. Já passaram por cima de nós na década de 70 para construir a represa e agora querem nos quebrar ao nos deixar sem ela. Estamos acompanhando de perto, com o Ceivap [Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul], a ANA [Agência Nacional de Águas] e não vamos deixar que esvaziem a nossa represa por falta de projetos”, diz o vereador Daniel Pereira (PSDB) de Redenção da Serra.

A cidade quer construir um dique na represa de Paraibuna para manter o nível de água na estiagem e não ter sua economia prejudicada. O município tem grande parte de suas atividades baseadas no turismo e esportes náuticos, o que depende do reservatório de água.

Nesta quinta-feira (11), o Ceivap se reúne pela segunda vez em uma semana. O tema da interligação não está na pauta.

Tarcísio José de Souza e Silva, secretário e representante do Estado de São Paulo na mesa diretora do comitê, não descarta, no entanto, retomar o debate.

“Existem muitas conversas de bastidores, como a preocupação de pouparem a represa de Jaguari para ser usada pela capital e aumentarem a vazão de Paraibuna. Tem ainda um acordo verbal entre o governo do Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro, que se até o dia 15 de dezembro não chover, vão mudar de postura e repensar as estratégias, o que prevê até mesmo um grande racionamento. Vamos acompanhar”, diz o secretário.

A proposta de transposição foi elaborada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). Para começar a obra, estimada em R$ 830 milhões, o governo de São Paulo ainda precisa do aval da ANA.

Nível em Paraibuna
Dezembro/2013 – 48,24%
Março/2014 – 42,05%
Junho /2014 – 28,32%
Setembro/2014 – 10,54%
Dezembro/2014 – 1,02%  (até 9/12)

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