Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
Governo brasileiro evita retaliação imediata; entenda

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras entrou em vigor nesta quarta-feira (22), ampliando as tensões comerciais entre os dois países. A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer para mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir de 0h01 (horário da Costa Leste dos EUA), equivalente a 1h01 no horário de Brasília.
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A nova cobrança é aplicada além das tarifas de importação já existentes. Na prática, um produto que antes pagava 5% de imposto passará a recolher 30%, somando a alíquota original aos 25% adicionais. Há, no entanto, uma regra de transição: mercadorias embarcadas antes do início da vigência poderão ficar isentas da sobretaxa, desde que entrem nos Estados Unidos até o dia 29 de julho.
Segundo dados da ApexBrasil, a medida afeta cerca de 2.375 produtos, equivalentes a aproximadamente US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras realizadas em 2025, o que representa cerca de 19% das vendas do país para o mercado americano. Mais da metade dos produtos exportados pelo Brasil permanece isenta da nova tarifa. Entre os itens que escaparam da sobretaxa estão aeronaves civis e componentes aeronáuticos, alguns produtos farmacêuticos, café solúvel sem sabor, mel orgânico, ferro-gusa, determinados pescados, couros e peles, além de obras de arte e antiguidades. Já pedidos de isenção para setores como máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e diversos bens manufaturados foram negados pelo governo americano.
O USTR justificou a medida com base em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alegando práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil em áreas como comércio digital, etanol, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual e desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeitou as justificativas e afirmou que poderá utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica caso considere necessário responder às medidas.
Apesar disso, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a prioridade do governo é manter as negociações com os Estados Unidos e evitar uma escalada na disputa comercial. Segundo ele, a intenção não é retaliar imediatamente, mas preservar o diálogo e recorrer à reciprocidade “no momento oportuno”, se as conversas não avançarem. 0search4
“A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho pode fazer com que os dois fiquem cegos”, declarou Alckmin após reuniões com representantes dos setores afetados pelas tarifas. O vice-presidente ressaltou que o Brasil dispõe de instrumentos legais para reagir, mas que a estratégia inicial é buscar uma solução negociada para reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.
Alckmin informou ainda que o governo estuda medidas de apoio aos exportadores, como ampliação de linhas de crédito, atuação da ApexBrasil na abertura de novos mercados e flexibilização de regras do regime de drawback, mecanismo que desonera tributos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
Foto: IA
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