Número de mortos por terremoto na Venezuela sobe para 1.719
Novo abalo de 4,6 atingiu o país nesta segunda (29) enquanto buscas por desaparecidos continuam

Subiu para 1.719 o número oficial de mortos em decorrência do duplo terremoto histórico que atingiu a região norte da Venezuela na última quarta-feira (24 de junho). O novo balanço, divulgado pelas autoridades governamentais, aponta ainda que 5.034 pessoas ficaram feridas e 15.866 estão desabrigadas ou desalojadas. Por se tratar de uma contagem provisória, o governo local alertou que os índices de fatalidades devem aumentar significativamente nos próximos dias.
Os tremores em sequência que abalaram o país vizinho são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século, provocando o desabamento de edifícios e colapso de infraestruturas na capital, Caracas, e em cidades satélites. Uma projeção alarmante feita pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), braço da ONU, estima que mais de 6 milhões de pessoas tenham sido afetadas diretamente e que o total de desaparecidos possa chegar a 50 mil.
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Litoral é a região mais afetada; aeroporto principal segue fechado
O epicentro e os reflexos mais devastadores do desastre concentram-se no litoral leste venezuelano. A cidade portuária de La Guaira foi apontada como a mais castigada pelas forças sísmicas.
A faixa de destruição também envolve Maiquetía, afetando diretamente a operação do Aeroporto Internacional Simón Bolívar. Principal porta de entrada e saída da Venezuela, o terminal aéreo permanece fechado por tempo indeterminado para avaliação estrutural e segurança dos voos. Em contrapartida, outros terminais internacionais do país, como o aeroporto de Valencia, já foram reabertos para receber ajuda humanitária.
Novo abalo assusta moradores nesta segunda-feira
Cinco dias após a catástrofe inicial, a terra voltou a tremer na Venezuela. Na manhã desta segunda-feira (29), por volta das 7h do horário local (8h no horário de Brasília), um forte abalo secundário de magnitude 4,6 assustou os sobreviventes.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro do novo tremor foi registrado em Caraballeda, no litoral norte, a cerca de 30 quilômetros de Caracas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que não foram reportados novos danos materiais ou vítimas decorrentes deste abalo específico. Réplicas semelhantes de menor intensidade também haviam sido sentidas na sexta-feira (26) e no domingo (28).
Corrida contra o tempo nos escombros
O novo tremor ocorre em um momento crítico, onde equipes de resgate locais e brigadas internacionais travam uma batalha exaustiva contra o relógio. Especialistas apontam que as primeiras 48 a 72 horas são cruciais para encontrar sobreviventes sob estruturas colapsadas e que, após esse prazo, as chances diminuem drasticamente.
Apesar das dificuldades impostas pelas altas temperaturas e pelo trabalho minucioso, que precisa ser feito manualmente para evitar novos desabamentos, os socorristas conseguiram retirar 33 pessoas com vida dos escombros ao longo deste domingo (28), renovando as esperanças das famílias. No entanto, o cenário em Caracas e arredores torna-se cada vez mais complexo, com relatos de voluntários indicando que o odor de corpos em decomposição começa a se intensificar nas frentes de trabalho.
Foto: Divulgação/Miguel Medina/Pool/AFP
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