O grupo “em risco” de uma pandemia

No Brasil, cerca de 30% das mães são “mães solteiras”, ou seja, mais de 20 milhões de mulheres brasileiras são as principais responsáveis pelo sustento de sua família

Escrito por: Isabel Blenda de Brito | Colégio Poliedro3 min de leitura
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No Brasil, cerca de 30% das mães são “mães solteiras”, ou seja, mais de 20 milhões de mulheres brasileiras, segundo o IBGE, são as principais responsáveis pelo sustento de sua família e formam, assim, um grupo especialmente vulnerável os impactos do caos mundial em que temos vivido.

Nessa lógica, um dos principais prejuízos a tal população, com a chegada da pandemia ao Brasil, é, com certeza, o fechamento de escolas e creches pelo isolamento social – medida a qual, embora necessária, tem agravado a constante problemática das mães que não têm onde deixar os filhos, ocasionando diversos outros impasses.

Desse modo, é necessário refletir a respeito do alto número de desempregos e, consequentemente, a adesão ao trabalho informal por parte das mães solo, ambos diretamente relacionados à crise da Covid-19 no país.

Em primeiro plano, nota-se um crescimento exorbitante no número de mulheres brasileiras sem emprego durante a pandemia, circunstância gerada, a meu ver, pela persistente relutância do mercado de trabalho para com a mão-de-obra feminina e pela já mencionada inviabilização do exercício da profissão por parte de mães solteiras na quarentena.

Nesse aspecto, segundo dados recolhidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), enquanto sete milhões de mulheres ficaram desempregadas desde o começo do isolamento social no Brasil, houve uma quantidade praticamente 30% menor de desempregos masculinos no mesmo período.

Afirmo, portanto, que as “mães solteiras” do país são, mais uma vez, predominância em tal situação-problema, uma vez que, além de estarem dentro das taxas de desemprego, são extremamente dependentes de seu próprio sustento.

Analogamente a tal problemática, à medida que se elevam as proporções de desemprego entre mulheres brasileiras, mais as mães chefes de família, como única forma de geração de renda, inserem-se no trabalho informal, sendo um agravamento à categoria já dominada por mulheres.

Por tal raciocínio, pode ser citado um caso que parece se repetir por todos os cantos do Brasil: você deve conhecer aquela sua vizinha, parente ou conhecida que, durante a pandemia, passou a vender doces, produtos de beleza, artesanatos, tudo para garantir a renda de sua família.

Sendo assim, posso afirmar que, além de acabar com empregos de milhares de mulheres, a crise da Covid-19 também tem forçado inúmeras mães solos a adentrarem na “terra sem lei” e “sem garantias” que é o trabalho informal.

Tendo em vista os argumentos tratados, reafirmo a maneira desproporcional com que as reverberações da pandemia atual impactam, entre outros grupos, as mulheres que são chefes de suas próprias famílias no Brasil.

Primeiramente, esses efeitos são notados na queda desmedida do número de mulheres em empregos formais durante a quarentena no país, além do crescimento evidente na quantidade de mães solteiras inseridas no mercado informal, realidade intrinsecamente ligada à primeira.

Ademais, concluo afirmando que as mulheres em situação vulnerável de nosso país precisam de um suporte, por parte do Estado e de iniciativas privadas, o qual atenda, de maneira realmente eficaz e justa, a todas essas mães brasileiras.

Com supervisão de Nicole Almeida.

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Isabel Blenda de Brito | Colégio Poliedro
Isabel Blenda de Brito | Colégio Poliedro

Aluna do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Poliedro, em São José dos Campos

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