O ouro e o intercâmbio tropeiro

Sem possuir uma ocupação produtiva significante economicamente, os primeiros paulistas do século 16 e 17, em sua grande maioria mamelucos, muito bem adaptados às condições do território ainda “selvagem”, se especializaram na arte da guerra. Sempre que era necessário lidar com conflitos contra quilombos e tribos indígenas agressivas, os paulistas eram acionados. Infelizmente também se especializaram na captura de escravos indígenas para suprir a necessidade de mão de obra de toda a nova colônia, com esse objetivo, em uma das andanças por novos territórios encontraram as primeiras fontes de ouro nas proximidades do que hoje conhecemos como Minas Gerais.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Sem possuir uma ocupação produtiva economicamente significativa, os primeiros paulistas do século 16 e 17, em sua grande maioria mamelucos, muito bem adaptados às condições do território ainda “selvagem”, se especializaram na arte da guerra. Sempre que era necessário lidar com conflitos contra quilombos e tribos indígenas agressivas, os paulistas eram acionados. Infelizmente também se especializaram na captura de escravos indígenas para suprir a necessidade de mão-de-obra de toda a nova colônia. Com esse objetivo, em uma das andanças por novos territórios, encontraram as primeiras fontes de ouro nas proximidades do que hoje conhecemos como Minas Gerais.

Houve um grande êxodo de várias regiões, e muitos homens vieram tentar a sorte no garimpo. Por causa disso, a própria coroa portuguesa se preocupou com uma possível queda na produção açucareira do nordeste. A nova atividade promissora mudaria rapidamente a rotina da até então pobre região sudeste, sem nenhum preparo e com o enorme crescimento populacional dos centros de mineração a comida era item escasso. Relatos mostram que uma galinha podia ser vendida a preço de ouro. Para tentar atender a demanda, o fluxo dos tropeiros se intensificou e os pequenos vilarejos paulistas se tornaram importantes entrepostos que serviam de parada para as grandes caravanas que cruzavam léguas.

Os tropeiros representaram a cadeia de comércio que movimentou o nosso país por muito tempo: a linha que costurou e uniu todo o Brasil. Tendo a tarefa de levar até as cidades em desenvolvimento itens de primeira necessidade, como carne seca, milho, sal, pólvora, além de escoar a produção destes centros. Estes viajantes conheciam a diferença e as peculiaridades de cada região que passavam.

Com as difíceis condições das viagens, os pratos que faziam parte do seu cardápio, influenciando e influenciados por onde passavam, eram compostos por uma categoria de comida de guerra, preparos onde geralmente todos os itens são misturados em um mesmo recipiente, caso do feijão tropeiro e das paçocas de carne, que possivelmente originariam o cuscuz paulista. As farinhas, tanto a de milho quanto a de mandioca, reinavam nos cardápios, resultando em alimentos mais secos, com isso uma maior durabilidade e possibilitando um transporte mais fácil dentro dos farnéis.

O ouro mesmo foi levado todo, primeiro em lombo de burros até o litoral e depois dentro dos navios lusitanos para a Europa. Nessa época a região teve um suspiro e uma esperança de desenvolvimento, principalmente Minas Gerais, que até o final do século XVIII viu um ótimo crescimento de suas cidades, mas com o declínio da extração aurífera o que nos sobrou verdadeiramente de riqueza foi essa cultura gerada, nossa maior herança.

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