O rebaixamento da Águia do Vale
Tudo começou com a eleição de Benevides Ferneda em novembro do ano passado. Ele assumiu um clube sem dinheiro, sem jogador, sem roupa e até sem bola para treinar. Mesmo assim, Geleia conseguiu fechar com o técnico Ruy Scarpino. Os jogadores foram chegando aos poucos, apoiados na promessa de um grande patrocínio que iria chegar e acabar com todos os problemas da Águia do Vale.

Tudo começou com a eleição de Benevides Ferneda em novembro do ano passado. Ele assumiu um clube sem dinheiro, sem jogador, sem roupa e até sem bola para treinar. Mesmo assim, Geleia conseguiu fechar com o técnico Ruy Scarpino. Os jogadores foram chegando aos poucos, apoiados na promessa de um grande patrocínio que iria chegar e acabar com todos os problemas da Águia do Vale.
Mas, dentro e fora do campo nada ia bem. O São José fez o pior início de campeonato da história. Foram cinco derrotas nos cinco primeiros jogos, que culminou na demissão de Ruy Scarpino. Jurandir Fatori assumiu o cargo. Junto dele chegaram dois investidores: Júnior Moraes, da Casa Soccer, e o ex-jogador, Alex Tatuí.
Em campo, Jura conseguiu marcar um ponto logo na estreia e foi o técnico da única vitória do São José no Paulista da A2, no dia 19 de fevereiro contra o Grêmio Osasco, por 2 a 1, na oitava rodada da competição. Depois disso veio a crise com a falta de pagamento dos salários. Treinos foram cancelados e as ameaças de greve por parte dos jogadores eram constantes.
Nesse meio tempo, Geleia insistia em uma parceria, que nunca existiu, mas que investiria R$ 10 milhões no clube, só que os investidores, que trouxeram jogadores e pagavam os salários dos mesmos, foram descartados por Geleia. Júnior Moraes -em entrevista-, chegou a dizer que havia sido feito de palhaço pelo presidente.
Os insucessos em campo levaram a demissão de Jurandir. Foram nove jogos no comando, com uma vitória, quatro empates e quatro derrotas. Restou a um ídolo tentar reverter o que parecia impossível. Vander Luiz, um dos principais jogadores da Águia no vice-campeonato paulista de 89, se ofereceu para trabalhar sem receber salários. Mas nada pode fazer, pediu demissão depois de um empate e de ter sofrido uma goleada histórica diante do Marília por 6 a 0.
O presidente, em menos de seis meses pediu afastamento do cargo. O Vice, Eduardo Pereira não quis assumir para não ficar marcado como o presidente do descenso. Essa semana o clube viu uma debandada de jogadores cansados de esperar o pagamento que nunca chegou. Ao São José resta cumprir tabela nas duas rodadas restantes, sabe-se lá como.
São 14 anos longe da primeira divisão, muito pouco para o único time da região que chegou mais perto do título estadual, com o vice-campeonato de 89. Agora o torcedor terá que esperar no mínimo dois anos para ver o time de volta a elite do Paulistão.
O Ituano da cidade de Itu, que tem cerca de 160 mil habitantes é semifinalista do Paulistão. O Penapolense vem de Penápolis, município de apenas 60 mil habitantes, é outro semifinalista, inclusive eliminando o São Paulo em pleno Morumbi. Vale a reflexão! Como uma cidade com mais de 600 mil habitantes, com o 22º maior PIB do Brasil não tem um time na elite do Paulista? Falta de investimento por parte dos empresários ou falta confiança nas pessoas que comandam o São José EC?
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