Ônibus, bebês e dinossauros
– Pai, por que o ônibus da Pássaro Marron é vermelho? – Porque o dono do ônibus não gosta de marrom. – Então por que ele não pôs o nome de Pássaro Vermelho? – Porque não existe pássaro vermelho. – Existe sim que eu já vi num desenho do Mickey. Por que o ônibus da […]

– Pai, por que o ônibus da Pássaro Marron é vermelho?
– Porque o dono do ônibus não gosta de marrom.
– Então por que ele não pôs o nome de Pássaro Vermelho?
– Porque não existe pássaro vermelho.
– Existe sim que eu já vi num desenho do Mickey. Por que o ônibus da Pássaro Marrom é vermelho?
– Vai almoçar que sua mãe tá chamando.
Tem apenas 3 anos, mas já faz perguntas que nem o Google sabe responder. Criar crianças não é fácil, e às vezes me sinto no jardim da infância da paternidade
– Pai, por que o ônibus da Pássaro Marron é vermelho?
Andava obcecado com a indecifrável pergunta. Resolvi usar toda minha experiência adquirida em faculdade, pós, MBA e seminários de técnicas de vendas, além de um curso online de hipnose, para engambelar o menino.
– É porque o marrom é uma variante cromática oriunda da família do vermelho. (Ahá, sai dessa agora, filhote intelectual de Backyardigans com Patati Patatá)
– Não é não pai. Cor não é gente pra ter família. Fala a verdade, por que o ônibus da Pássaro Marron é vermelho?
É quando entra na sala a vó do menino (sim, a sogra) e resolve o enigma:
– É porque desbotou, Cássio. Era marrom, mas pegou muito sol e virou vermelho.
– Ah tá, entendi…
Carcomido por um ódio corrosivo dentro de minhas mais profundas entranhas, lamentei não ter pensado nisso antes.
Mas não tardou a surgir com nova dúvida:
– Pai, da onde vem os bebês?
– Vêm das cegonhas.
– O que são cegonhas?
– São pássaros.
– Pássaros marrons ou vermelhos?
– Nenhum dos dois, cegonhas são brancas como pombinhas, filho.
– Se eu vim dos pombos, por que eu pareço com a minha mãe?
– Cegonhas não são pombos e você se parece com o seu pai. (Três redentores minutos montando castelos de Lego)
– Pai, dinossauros existem?
– Não existem mais não.
– Acabaram todos?
– Olha filho, eu desconfio que ainda exista alguns entre nós, mas é melhor perguntar pra sua vó, que entende muito mais de dinossauros do que o seu pai.
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