Operação Armagedom: Força-tarefa mira esquema de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba

Segunda fase da ação cumpre mandados de busca, bloqueia até R$ 205,7 milhões em bens e decreta a prisão preventiva do líder do grupo, que comandava o esquema da própria residência

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Divulgação/PM
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Uma megaoperação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Polícia Civil e a Polícia Militar deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a segunda fase da Operação Armagedom. A ação tem como foco desarticular uma organização criminosa estruturada que atuava no Vale do Paraíba com práticas sistemáticas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

Ao todo, a Justiça de São José dos Campos expediu 24 mandados de busca e apreensão, além de determinar a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o bloqueio de bens que podem alcançar até R$ 205,7 milhões.

Comando a partir da prisão domiciliar

Entre as ordens judiciais, destaca-se a decretação da prisão preventiva do homem apontado pelas investigações como o líder do grupo criminoso. Mesmo cumprindo prisão domiciliar por desdobramentos anteriores, as apurações do MPSP revelaram que ele continuava a coordenar ativamente as operações ilícitas do grupo de dentro de sua própria residência.

A organização criminosa já havia sido alvo da primeira fase da Operação Armagedom, deflagrada em novembro de 2024, oportunidade em que diversos integrantes foram presos e posteriormente condenados. No entanto, os levantamentos do Ministério Público demonstraram que a estrutura permaneceu operacional e dando sequência aos crimes na região.

Modus operandi e blindagem patrimonial

De acordo com os órgãos de investigação, o esquema funcionava por meio de:

  • Empréstimos com juros abusivos: Concessão de valores a taxas exorbitantes para vítimas financeiramente vulneráveis ou endividadas.
  • Extorsão e cobrança violenta: Uso sistemático de intimidação e ameaças para coagir os devedores ao pagamento.
  • Lavagem de dinheiro: Ocultação de recursos ilícitos por meio de “laranjas” (terceiros), imóveis e empresas de fachada.

Patrimônio milionário na mira da Justiça

A investigação identificou um vasto patrimônio acumulado pelo grupo, incompatível com as rendas declaradas dos suspeitos. As medidas cautelares atingem:

  • Imóveis e aluguéis: Propriedades residenciais e comerciais que geravam rendimentos mensais superiores a R$ 48 mil em aluguéis.
  • Veículos de luxo: Automóveis de alto padrão utilizados pelos investigados.
  • Criação de animais de raça: Foram bloqueados 37 cavalos da raça Mangalarga Marchador vinculados diretamente ao principal investigado.

Integração policial e continuidade das apurações

A ofensiva é coordenada por uma força-tarefa composta pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pelo Núcleo Especial de Combate à Criminalidade Organizada (Neccold), por agentes da Polícia Civil e pelo 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da Polícia Militar.

As diligências continuam ao longo do dia para o cumprimento de todas as ordens judiciais e a análise do material apreendido, buscando identificar novos coautores e mapear outros ativos vinculados ao esquema.

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