Revoluções Musicais do Século 20 – Origens da Música Popular Brasileira

As primeiras manifestações da música popular no Brasil, ainda no período colonial, foram chamadas de “música de barbeiros”, desenvolvidas por escravos ou negros alforriados – tocada com tambores, marimbas, trompete e trompa. Essas bandas instrumentais eram dirigidas por jesuítas que recrutavam negros livres, exercendo um ofício de grande destaque no período: o “barbeiro-músico”, que, além de possuir habilidade nas mãos, tinha tempo para exercer sua carreira musical.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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As primeiras manifestações da música popular no Brasil, ainda no período colonial, foram chamadas de “música de barbeiros”, desenvolvidas por escravos ou negros alforriados – tocada com tambores, marimbas, trompete e trompa. Essas bandas instrumentais eram dirigidas por jesuítas que recrutavam negros livres, exercendo um ofício de grande destaque no período: o “barbeiro-músico”, que, além de possuir habilidade nas mãos, tinha tempo para exercer sua carreira musical.

No século 19, viriam as primeiras bandas militares que, diferente da confusa formação da “música de barbeiros”, eram muito bem organizadas, tocavam em desfiles oficiais, coretos, procissões e festas cívicas. Mas a grande proximidade entre as bandas militares e a música popular se consolidaria, de fato, com as festas de carnaval, importadas da Europa no final do século 19 – que já incluíam foliões e carros alegóricos desfilando nas ruas da capital carioca.

Com a popularização do carnaval, as orquestras militares passam a assinar com gravadoras importantes (produzindo discos famosos no Brasil) e também a adicionar, em seu repertório, ritmos europeus, como a marcha, a polca e a valsa. Na década de 1930, no entanto, com a ditadura nacionalista de Getúlio Vargas, as bandas militares sofrem uma forte decadência e são tiradas dos coretos e festas populares – relegadas a gravar hinos patrióticos em estúdios.

Em contrapartida, no Rio de Janeiro, começam a surgir músicos saídos das classes mais baixas, identificados com uma sonoridade mais brasileira e mais popular. Nos bailes mais modestos, realizados em domicílios comuns e menosprezados pela burguesia, foram esses músicos que começaram a tocar polca e valsa à base de cavaquinho, flauta e violão, dando origem ao primeiro grande gênero popular brasileiro: o choro, reconhecido pelo estilo “choroso” e executado por funcionários de correios, barbeiros, soldados de polícia, etc.

No início do século 20, com o nascimento do teatro de revista, do cinema mudo, do rádio e da indústria do disco, a música finalmente se transforma em produto de consumo urbano, vendido na forma de partituras de piano, discos de gramofone e rolos de pianola. Do teatro de revista surge Carmem Miranda (com “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi) e Chiquinha Gonzaga, autora de “Ó Abre Alas!”, primeira marcha adaptada ao carnaval de rua. Outros compositores de revista, como Ari Barroso, Pixinguinha, Lamartine Babo e Sinhô, transformam os teatros em verdadeiros “shows”, e passam a gravar suas atrações em disco.

Ao mesmo tempo, milhares de baianos migram para o Rio de Janeiro, trazendo o afoxé, as embaixadas e a folia de reis. Da sinergia entre o choro carioca e as expressões afro-nordestinas, surge o “samba de partido alto”, tocado à base de palmas, cavaquinho, pandeiro e um prato raspado com facas. Outro estilo que apareceu nesse período foi o “samba corrido”, apresentando as vozes em coro (onde todos cantavam). Nos casarões de Salvador e do Rio de Janeiro, havia festas de partido alto, samba corrido, capoeira e batucada. Festas que agregavam as classes populares, boêmios e jornalistas para longas noites de folia.

Em 1917, registrado na Biblioteca Nacional como samba carnavalesco, a música “Pelo Telefone”, de Donga, acabou abrindo a consciência do músico popular para seu papel como profissional. Novos autores podiam finalmente usufruir comercialmente de suas criações – até então, nomes como Pixinguinha estavam fartos de fazer apresentações gratuitas em salões de baile e festas de família. Com a profissionalização, no entanto, grandes músicos foram obrigados a comprometer suas identidades musicais. Outros partiriam para o jazz, trocariam a flauta pelo sax, o cavaquinho pelo banjo, o pandeiro pela bateria, e se submeteriam à invasão cultural americana com as “jazz-bands”, assunto de nossa próxima coluna.

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