Ossadas ficam sem identificação em cemitério de Cruzeiro, segundo familiares

Vídeo enviado por leitora mostra ossos guardados em sacos plásticos

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Moradores de Cruzeiro denunciaram que ossadas foram retiradas de túmulos e colocadas sem identificação no ossário público do Cemitério Municipal. Um vídeo enviado pela leitora do Meon Gilmara Caciana mostra ossos acondicionados em sacos plásticos.

A leitora disse que foi ao cemitério na quinta-feira (6) para exumar o corpo dos pais quando encontrou os sacos plásticos com ossos sem identificação espalhados pelo cemitério.

“O modo como os restos mortais foram descartados foi um desrespeito com os familiares que nem sabiam o que estava acontecendo. Gravei o vídeo e pedi para falar com o administrador, mas ninguém soube me explicar porque as ossadas estavam sem identificação”, contou a doméstica de 45 anos.

Ainda de acordo com Gilmara Caciano, a administração do cemitério possui documentos com nome e local onde as pessoas estão enterradas, mas as ossadas nunca são encontradas.  A prima de Gilmara, Maria Virgínia dos Santos Pinto, de 63 anos, ainda não conseguiu localizar os restos mortais de sua tia.

A aposentada Maria Virginia relatou que a tia foi enterrada há 25 anos em um túmulo público e há alguns meses ela recebeu uma notificação informando que havia ‘perdido’ o túmulo.

“Por causa disso comprei um novo túmulo e ficou combinado que os restos mortais não seriam retirados, mas a ossada foi removida e informaram que estava guardada no ossário devidamente identificado. Fiquei revoltada com o desrespeito e mesmo que ela fosse uma andarilha não deveria ter esse tratamento.  A minha tia tinha família, era só ter avisado”,  contou a idosa.

Ação Judicial

Consultado pelo Meon, o presidente da AASJC (Associação dos Advogados de São José dos Campos), Walter Cunha, disse que a retirada de ossadas precisa de autorização formal da família do falecido.

“A conduta do cemitério que determinou a retirada sem a autorização dos familiares é no mínimo imoral. A atitude não se enquadra como uma violação de túmulo, mas é necessário verificar o que legislação do município determina em ações do tipo”, esclareceu o presidente da associação

Ainda de acordo com Cunha, as famílias que se sentirem lesadas podem recorrer à Justiça por dano moral contra a prefeitura caso os restos mortais sejam retirados sem a devida autorização ou notificação.

Nota da Prefeitura de Cruzeiro 

“A denúncia referente as ossadas estarem colocadas em sacos plásticos sem a devida identificação não procede.

A Prefeitura de Cruzeiro e sua nova gestão é a administradora dos cemitérios municipais e acompanha de perto toda a restruturação dos locais. O atual governo assim que assumiu iniciou reforma e uma ampla organização em ambos cemitérios da cidade. Atualmente, os ossos são ensacados em sacos plásticos resistentes, com identificação plastificada e protocolo dos pertences. Há também documentação dos túmulos e ofícios registrados quando necessário abertura de tal.

Referente à denúncia da munícipe, a própria procurou a prefeitura para regularização do seu túmulo e localização de seus parentes. A solicitação foi para achar 5 familiares, foram encontrados 4 e ainda estamos procurando, acompanhados da senhora solicitante, mais 1 familiar, que ao ser encontrado com a devida identificação não foi reconhecido.

A cruzeirense procura a ossada de sua madrinha que faleceu há mais de 25 anos. Cada gaveta lacrada do ossário público está sendo aberta e procurado devido ao não reconhecimento do saco antigo encontrado com o nome da pessoa. Não podemos responder pelo local há mais de 25 anos e nem da maneira que a administração passada dirigia a unidade.

Podemos, sim, afirmar que estamos assistindo os cemitérios e atualizando e organizando toda documentação. Assim como atendendo a solicitação da munícipe com toda a equipe gestora e responsável pelo local.”

Publicado em: