Otto em Taubaté: “música brega é música boa”

Fosse definido em uma palavra, o músico pernambucano Otto seria a inquietude. Seja na criação de canções que atravessam diversos gêneros – vão da psicodelia ao brega, passando por manguebeat e candomblé-, ou nos trejeitos de mão passando no cabelo e nas orelhas a toda a hora, Otto é um artista que se diz em momento “de calma”, mas mantendo uma contradizente inquietação.

Escrito por: Renan Simão4 min de leitura
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Cantor pernambucano se apresentou no Sesc Taubaté nesta quinta-feira (24)

Renan Simão

Se fosse definido em uma palavra, o músico pernambucano Otto seria inquieto. Seja na criação de canções que atravessam diversos gêneros – vão da psicodelia ao brega, passando por manguebeat e ritmos do candomblé – ou nos trejeitos (passa a mão no cabelo e nas orelhas a toda a hora) Otto é um artista que se diz em momento “de calma”, mas mantendo uma contradizente inquietação.

Em entrevista ao Meon, momentos antes do show de quinta-feira (24) no Sesc Taubaté, o ex-integrante da Nação Zumbi falou de seu sétimo disco “The Moon 1111” (2012) como prova de uma “carreira em ascendência” e afirmando que gosta mesmo de “palco e banda”, rejeitando rótulos de sonoridade orgânica ou eletrônica.

Bem humorado, revela que seu novo trabalho já tem nome. “Ottomatopeia” deve ser gravado no fim do ano.

Fala também do medo da violência dos protestos de junho de 2013, de ouvir muito “Rádio Net” e afirma que “música brega é música boa”.

O “The Moon 1111” é um disco de transição? De saída de um período de canções confessionais que foi o “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”, para uma sonoridade mais psicodélica? 
É amadurecimento só, é uma evolução de ver as pessoas que te rodeiam fazendo música. Acho que to numa fase, a idade dá uma calma, embora eu seja muito inquieto. Mas a calma que eu falo é de conquistar mais coisas.

Como foi gravar o disco com Pupillo, Catatau, Dengue, Lincoln Olivetti? Músicos que você já conhece de longa data.
É uma honra estar do lado deles, o disco está lindo e o show também.

Em que medida seus discos refletem o seu estado de espírito, como foi bem nítido em “Certa Manhã…”?
É meu pensamento, eu só musico as minhas coisas. Tenho uma linguagem, uma interação com as minhas coisas.

Como você se sentiu na criação do “The Moon 1111”?
No The Moon, acho que a inquietação maior talvez seja o país. Quando eu faço uma música, eu tenho uma mensagem social também. É nisso que eu mais me afundo.

Você foi influenciado pelos protestos de junho te influenciaram?
No começo era natural até que vi minha filha passar por uma tormenta na Paulista. Eu senti um pouco de medo dessa violência, que não é coisa do Brasil, a gente é pacífico, a gente é democrático.

Vai ter Copa?
Vai. Tomara que tenha, né, cara(ri) Mais tristeza não dá. Se não tiver Copa, vai ficar tudo mais chato. Tem que ter, arcar com a tradição, com o espetáculo.

Você concorda que os seus discos saíram de formatos eletrônicos sintéticos para uma sonoridade mais orgânica?
O “Samba Pra Burro”  foi feito em Pro Tools [software de gravação] com Pupillo, com Apollo 9. Eu não tenho isso de orgânico e inorgânico. Eu gosto de palco e banda. Eu acho que eu tenho uma carreira muito ascendente, to numa evolução.

E o Ottomatopéia, quando vem?
Acho que gravo no fim do ano, já tenho umas oito músicas para burilar.

O que você tem ouvido ultimamente?
Eu boto na Rádio Net direto! (ri) Ouço de tudo, sertanejo, reggae clássico, vou passando tudo isso. Jazz eu gosto muito também.

Nas suas canções mais românticas, você se sente como um crooner brega?
Eu gosto do canto dos crooners, pra cantar você precisa gostar de Elvis, Nelson Gonçalves, Odair José. Pra mim o brega é pop, o brega música boa. Eu adoro posto de gasolina, eu sou do interior, de Belo Jardim [agreste pernambucano] eu frequentei cabaré do interior. É natural gostar de Altemar [Dutra], Odair [José], Carlos Muller, Evaldo Braga. Aí já vem Ronnie Von, Roberto Carlos, mais pra frente, Caetano. Por isso que Caetano canta Peninha divinamente.

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