Pandemia ofusca Ramadã, mas não diminui a fé dos muçulmanos
Para os islâmicos, o período que dura entre 29 e 30 dias é o mais importante do ano


O Ramadã em 2020 teve início no dia 23 de abril e se encerrou em 23 de maio. Para marcar o fim do período acontece o Eid al-Fitr, uma festa que celebra o fim do jejum. A comemoração deveria ter acontecido normalmente neste domingo (24), mas a pandemia atrapalhou a tradição. Geralmente, a festa é marcada pelas reuniões nas mesquitas e visitas aos familiares, mas não foi o que aconteceu desta vez.
Não existe um dado exato sobre o número de muçulmanos na região, mas a segunda religião mais praticada no mundo também conta com fiéis na RMVale que não puderam seguir os ritos tradicionais no Ramadã. Ainda assim, os seguidores do Islã buscaram manter a tradição mesmo com a distância.
“Todos os anos fui à celebração (Eid al-firt). Esse ano não está podendo ser que nem os anos anteriores. Infelizmente eu e muitos muçulmanos não estamos podendo ir às mesquitas, por causa dessa pandemia”. Conta uma muçulmana de 18 anos com origem egípcia moradora de Tremembé, que preferiu não se identificar. Mesmo com a pandemia, o Ramadã não perde a importância e os fiéis precisam buscar alternativas para driblar o coronavírus.

O que é o Ramadã?
Ramadã é o período mais importante para os muçulmanos. Ele acontece no 9° mês do calendário islâmico e tem duração entre 29 e 30 dias. Para os islâmicos, o período representa o mês em que o Alcorão foi revelado ao profeta Maomé. O Ramadã passa a ser obrigatório quando o muçulmano atinge a puberdade, mas estão isentos os fiéis idosos, mulheres que estão amamentando e aqueles que possuem alguma doença. No período, o muçulmano não deve comer nem beber nada do nascer ao pôr do sol, não deve ter relações sexuais e nem fumar. O muçulmano deve concentrar seus pensamentos em Allah.
Em grande parte do mundo e também na região as igrejas e templos seguem fechados, impedidos de realizarem as cerimônias. Essa é uma foram de evitar aglomerações e prevenir o contágio da Covid-19.
A principal forma de seguir os ritos com as orações foram as lives, que se popularizaram com a pandemia. Uma delas reuniu grandes Sheiks do Brasil, nenhum deles da RMVale. Mas ainda assim não é a mesma coisa do que as reuniões presenciais. Na live, um dos Sheiks usou um provérbio árabe para demonstrar a importância dos cuidados contra a Covid-19 “Confie em Deus, mas amarre seu camelo”, disse o muçulmano.
Mesmo com a distância, a fé dos muçulmanos não foi abalada e nem a importância do período foi menor do que nos outros anos pela pandemia. “continuamos com a nossa fé, rezamos em casa mesmo” Afirma a jovem muçulmana que seguiu a tradição com a família, que também segue o islamismo.
No mundo, as celebrações também foram diferentes. Países com grande maioria islâmica como Egito, Iraque, Síria e Turquia proibiram orações coletivas como medida de precenção ao coronavírus. A Arábia Saudita promulgou um toque de recolher. Já o Irã – país mais afetado pela pandemia no Oriente Médio – apenas informou aos fiéis que “desencoraja reuniões e celebrações” por causa da pandemia do novo coronavírus.
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