Para classe teatral, isenção do IPTU não traz solução
Na última semana, o teatro paulistano cantou mais uma vitória. Publicada na edição de sábado do Diário Oficial da Cidade de São Paulo, a Lei n.º 16.173 isenta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) os imóveis utilizados exclusiva ou predominantemente com a finalidade de realizar espetáculos de artes cênicas. O texto da lei beneficia os…

Na última semana, o teatro paulistano cantou mais uma vitória. Publicada na edição de sábado do Diário Oficial da Cidade de São Paulo, a Lei n.º 16.173 isenta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) os imóveis utilizados exclusiva ou predominantemente com a finalidade de realizar espetáculos de artes cênicas.
O texto da lei beneficia os teatros que tenham salas com capacidade de até 400 pessoas sentadas e que possuam acesso direto pela rua ou estejam inseridos em galerias (excluindo, dessa forma, as casas instaladas em shoppings).
A conquista vem na esteira de outros êxitos da classe teatral da cidade – alguns mais antigos, como a Lei do Fomento, de 2002, impulsionada pelo manifesto Arte Contra a Barbárie, e outros mais recentes, como o Prêmio Zé Renato e o registro de 22 grupos de teatro como patrimônios imateriais do município pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Apesar do avanço, a isenção do IPTU não resolve os maiores problemas enfrentados pelas companhias teatrais hoje: o pagamento dos aluguéis de suas sedes e a luta contra a especulação imobiliária.
“A isenção do imposto não vai resolver a vida dos grupos”, diz o presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Rudifran Pompeu. “Mas do ponto de vista político, significa que o (prefeito) Haddad reconhece a importância desses espaços.” Para Pompeu, ainda que o valor economizado com a isenção não seja tão alto, acaba desonerando, de qualquer forma, os coletivos teatrais. “Precisamos de uma política estruturante. A lei é diferente de um edital porque garante o benefício independentemente de quem está no governo.”
Roberto Alvim, diretor da companhia Club Noir, com sede na Rua Augusta, comemora a promulgação. “A isenção rende uma economia de R$ 9 mil ao ano”, calcula o encenador, que abriu recentemente um projeto na plataforma de crowdfunding Catarse para juntar uma verba que ajudasse a pagar os aluguéis atrasados. Com 20 dias para expirar o prazo de arrecadação, o montante passou da meta de R$ 30 mil. “Cada passo desses vai nos aproximando do objetivo maior, que é ter uma proteção efetiva para os pequenos teatros da cidade”, afirma.
Ele reconhece, no entanto, que é apenas um passo. Para Alvim, a melhor solução seria a adoção dos teatros por parte das grandes construtoras que atuam na cidade. A ideia, lançada pelo promotor Maurício Ribeiro Lopes, funcionou com alguns grupos – caso da Companhia da Revista, que alugou um espaço e criou uma nova sede no região do Bom Retiro. Em outras ocasiões, acabou não dando certo, como com o próprio Club Noir, que não conseguiu apoio, e com o Espaço dos Fofos, que teve seu patrocínio suspenso. “Seria bom porque R$ 10 mil de aluguel é um preço insignificante para uma construtora, e o apoio é uma forma de mostrar preocupação social”, analisa Alvim, destacando que as empresas do ramo são malvistas na cidade.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo em março, quando o Projeto de Lei (PL) foi aprovado pela Câmara Municipal, o secretário de Cultura Nabil Bonduki (um dos autores do PL, claro, quando ainda era vereador) destacou a importância da conquista e lembrou que a lei não salvaria as casas de espetáculos. “A isenção é importante, mas não garante a manutenção do teatro. Sozinha, é insuficiente”, disse. Segundo ele, a legislação deve ser complementada com a regulamentação das Zonas Especiais de Proteção Cultural – Áreas de Proteção Cultural (Zepec-APC), que devem ser protegidas ao serem reconhecidas como espaços de valor afetivo e simbólico, mesmo que suas características arquitetônicas não justifiquem o tombamento.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
