Paraty e Ilha Grande recebem título de Patrimônio Mundial; área preservada inclui cidades da RMVale
Unesco anunciou título durante reunião no Azerbaijão, nesta sexta-feira


Paraty e Ilha Grande são o primeiro bem brasileiro inscrito na categoria de sítio misto, ou seja, cultural e natural
Foto: Diulgação/Oscar Liberal/Iphan
A cidade de Paraty e a Ilha Grande, no Rio de Janeiro, foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pelo comitê da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco), durante reunião em Baku, no Azerbaijão. A região preservada inclui ainda os municípios paulistas de Ubatuba, Cunha, São José do Barreiro e Areias, e toda a Serra da Bocaina.
Agora, são 22 bens brasileiros na lista dos sítios de excepcional valor universal. O local é o primeiro bem brasileiro inscrito na categoria de sítio misto, ou seja, cultural e natural.
O novo patrimônio abrange um território de quase 149 mil hectares, que reúne o centro histórico de Paraty e quatro grandes áreas de conservação ambiental: Parque Nacional da Serra da Bocaina, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, envolvendo, ao todo, seis municípios de Rio e São Paulo.
Com cerca de 85% da cobertura vegetal nativa bem conservada, a área forma o segundo maior remanescente florestal do bioma Mata Atlântica e é cercada por quatro áreas de conservação ambiental, além de ser palco de um dos principais centros históricos e culturais do país.
“Nós, orgulhosamente, voltamos para casa com esse título na bagagem”, afirmou a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa. “Em Paraty e Ilha Grande vemos de maneira excepcional e única uma conjunção de beleza natural, biodiversidade ímpar, manifestações culturais um fabuloso conjunto histórico, além de importantes testemunhos arqueológicos.”
Paraty e Ilha Grande receberam o título, em grande parte, por causa da interação da presença humana com o ambiente natural. Ali, testemunhos culturais incluem o centro histórico de Paraty, ainda bem preservado, uma parte do antigo Caminho do Ouro – por onde escoava o minério de Minas Gerais – e comunidades vivas de quilombolas, indígenas e caiçaras.
São duas terras indígenas, dois territórios quilombolas e 28 comunidades caiçaras, que vivem da relação com a natureza, da pesca artesanal e do manejo sustentável de espécies da biodiversidade. Essas comunidades tradicionais mantêm os modos de vida de seus antepassados, preservando a maior parte de suas relações culturais como, ritos, festividades e religiões.
Com cerca de 85% da cobertura vegetal nativa bem conservada, a área abarcada pelo sítio misto forma o segundo maior remanescente florestal de Mata Atlântica do País, com muitas espécies raras e endêmicas.
Foi a terceira vez que Paraty disputou o título de Patrimônio Mundial da Unesco, na expectativa de atrair investimentos para preservar a região e resolver antigos problemas da região, como a falta de saneamento.
A primeira tentativa, em 2004, não seguiu critérios formais e foi desqualificada. A segunda candidatura, em 2009, foi rejeitada pelo comitê da Unesco após recomendação do Icomos, um conselho associado à ONU que avalia cada inscrição. Desta vez, no entanto, o conselho deu sinal verde à entrada da cidade à seleta lista da Unesco, mas sinalizou desafios a serem superados pela candidatura.
Confira as UCs que compõem a área ampla do sítio misto:
Federais:
– Parque Nacional da Serra da Bocaina
– Estação Ecológica de Tamoios
– Área de Proteção Ambiental de Cairuçu
Estaduais:
– Reserva Ecológica Estadual da Juatinga
– Parque Estadual da Ilha Grande
– Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul
– Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro
– Área de Proteção Ambiental de Tamoios
Municipal:
– Área de Proteção Ambiental Municipal da Baía de Paraty
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