Paulo Roitberg: ‘Temos que melhorar nosso tempo de atendimento’

Em entrevista, secretário de Saúde de S. José fala das dificuldades da Pasta

Escrito por: Rodrigo Ribeiro5 min de leitura
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Em entrevista, secretário de Saúde de S. José fala das dificuldades da Pasta

Rodrigo Ribeiro/Meon

Paulo Roitberg tem 60 anos, é médico formado pela Faculdade de Medicina de Campos (RJ), pós-graduado em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo) e em Medicina do Trabalho pela Unitau (Universidade de Taubaté). Casado com Keyla Pereira Correa de Barros, médica pediatra em São José dos Campos, é pai de dois filhos e mora no Vale do Paraíba há 32 anos e em São José há dez.

Foi clínico geral na UBS (Unidade Básica de Saúde) e na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Eugênio de Melo, na UPA do Campos dos Alemães e no Hospital Municipal. Também atuou como médico nos hospitais Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), FUSAM (Caçapava) e Santa Marcelina (São Paulo). Foi secretário de Saúde de São José, entre 1995 e 1996, e prefeito de Caçapava, de 1997 a 2000. No atual governo, Roitberg iniciou na Chefia de Gabinete e, em julho de 2013, passou a comandar a Secretaria de Saúde.

No ‘Fala aí!’ desta quarta-feira (24), você vai conhecer um pouco mais do trabalho da secretaria de São José, as principais dificuldades da Pasta e o que pensa Roitberg sobre a epidemia de dengue vivida pela cidade em 2015.

Qual a principal dificuldade enfrentada pela secretaria?
Temos algumas dificuldades. A primeira é conscientizar a população para que ela saiba qual serviço procurar de acordo com suas necessidades. Nem todos os problemas devem ser tratados em prontos-socorros, assim como a UBS não tem capacidade para atender casos de urgência. Temos que melhorar nosso tempo de atendimento, aumentar a oferta de algumas especialidades e criar mecanismos de aperfeiçoamento constante.

Neste ano, a epidemia de dengue foi (acredita-se que já chegou no pico) histórica na cidade. Em entrevistas anteriores, você disse que o cenário não deve ser diferente no próximo ano. O que ocasionou esse cenário? Um “relaxo” da população e do poder público?
Em primeiro lugar, o cenário talvez seja diferente no próximo ano por conta da imunidade que a dengue causa para quem já contraiu a doença. Taubaté teve, no ano passado, mais de 10 mil casos, ou seja, tem hoje uma população de 10 mil imunes. Isso faz com que a cadeia de infecção seja quebrada. Não houve relaxo, mas houve relaxamento por parte da população que diante da situação confortável que São José teve, em 2014, achou que a dengue não seria um problema em 2015. Além disso, a crise hídrica fez com que as pessoas armazenassem água em casa e não de maneira correta, fazendo com que criadouros do mosquito fossem abundantes. Vale ressaltar que a epidemia não foi uma exclusividade de São José, o Estado de São Paulo – o mais acometido pela crise hídrica – somou mais de 50% dos casos de todo o País. Isso em números são mais de 300 mil casos. A Secretaria de Saúde não relaxou em nenhum minuto, se tivesse feito isso teríamos uma situação muito pior, assim como cidades do mesmo porte de São José tiveram neste ano. Outra razão bastante relevante é o fato de que toda doença tem seu ciclo viral. Ou seja, a cada três ou quatro anos, todo vírus mostra uma curva ascendente de casos. É um comportamento viral. A Secretaria de Saúde de São José dos Campos investiu mais no primeiro semestre deste ano do que no ano todo de 2014 tentando conter a epidemia, e volto a dizer: Conseguimos. Porque poderia ser muito pior.

Recentemente, pacientes esperaram horas para serem atendidos na rede municipal de saúde. Como a secretaria tem enfrentado essa situação?
Realmente, durante a epidemia de dengue, os prontos-socorros da rede pública ficaram lotados, com um movimento 30% maior do que o normal. Para se ter uma ideia, isso corresponde a 250 pacientes a mais por dia. Mas assim que identificamos o problema, abrimos uma tenda para atendimento exclusivo no Hospital Municipal, na qual pacientes foram atendidos sem filas e sem espera. Isso também desafogou o pronto-socorro e a espera diminuiu consideravelmente. Entretanto, o usuário da rede pública precisa entender quais os papeis de cada unidade. Uma unidade de pronto atendimento serve para urgências e emergências. Tem muitas doenças que podem e devem ser tratadas nas unidades básicas de cada bairro e não no pronto-socorro. Todos os pacientes classificados na triagem como vermelho e amarelo (urgência e emergência) não esperam para serem atendidos, mas um paciente com quadro menos grave não terá prioridade diante de outro que precise de atenção imediata. Isso gera espera, é inevitável.

E a relação com hospitais particulares, convênios, é boa?
Sim, a relação é muito boa.

Em entrevistas anteriores sobre a dengue, você disse que os hospitais municipais estavam lotados por conta de muitos pacientes de convênio que estavam usando o serviço público de saúde. É preciso aumentar a oferta de hospitais/UPAs em São José?
O hospital municipal não estava lotado por conta disso, mas nós atendemos muitos pacientes provenientes da rede particular na rede pública. A explicação é simples: a Secretaria de Saúde e os profissionais envolvidos no combate e tratamento da dengue são preparados constantemente para situações de contingência como a que vivemos. A demanda sempre será maior do que a oferta. Isso é verdade, então, se pudermos construir mais hospitais, mais UPAs, sempre será bom, mas nunca suficiente. Temos que conscientizar a população que cada unidade tem sua função e que se passarmos a usar a rede pública de modo correto podemos aperfeiçoar o tratamento de todos.

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