Peça inspirou dois filmes e se baseou em personagem real
Ronald Harwood ganhou notoriedade mundial quando sua peça The Dresser (1980) foi adaptada para o cinema em 1983, com direção de Peter Yates – com Albert Finney como o velho ator chamado de Sir e o fiel camareiro vivido por Tom Courtenay, o longa recebeu cinco indicações para o Oscar, mas não faturou nenhum. Na verdade, ele só ganharia uma…

Ronald Harwood ganhou notoriedade mundial quando sua peça The Dresser (1980) foi adaptada para o cinema em 1983, com direção de Peter Yates – com Albert Finney como o velho ator chamado de Sir e o fiel camareiro vivido por Tom Courtenay, o longa recebeu cinco indicações para o Oscar, mas não faturou nenhum. Na verdade, ele só ganharia uma estatueta pelo roteiro adaptado de O Pianista, longa dirigido por Roman Polanski em 2002.
O enredo de O Fiel Camareiro, como o filme se chama no Brasil, é baseado em experiências pessoais de Harwood, que foi, de fato, ajudante de um ator e empresário inglês, Donald Wolfit, modelo para o personagem Sir. Tanto a peça como suas versões filmadas reforçam a dedicação desmedida de Norman pelo velho ator.
“No final de uma tumultuada carreira, Sir percebe que não tem amigos, foi um tirano; as pessoas tentaram amá-lo, mas nada funcionou”, comentou Anthony Hopkins, que interpretou esse personagem no telefilme rodado pela BBC em 2004 – Ian McKellen viveu o camareiro. “Então, ele estabelece que, um dia, encontrará seu apogeu. Em meio ao colapso, ele é conduzido ao palco e ali ocorre o momento divino, e Sir compreende: ‘Eu cheguei lá. Cheguei lá.”
Com uma sólida tradição no teatro inglês, Hopkins entende com perfeição a seriedade com que se trabalham os textos de Shakespeare na Inglaterra. Rei Lear, por exemplo, que ocupa um momento crucial de O Camareiro, foi interpretado por Hopkins precocemente, nos anos 1980, como ele mesmo reconheceu, quando habitualmente é um dos últimos papéis vividos por um ator.
“Somente agora tenho consciência disso”, reconheceu ele, em entrevista ao Los Angeles Times em 2016. “Eu era jovem demais para o papel, mesmo assim quis tentar. Seja pela falta de paciência, na minha vida pessoal, porque quaisquer que sejam as nossas convicções, nós somos aceitos e amados por aquilo que somos e não por aquilo que poderíamos ser. Não podemos ser tudo. Somos o que somos, com nossos defeitos, pecados e virtudes. Também cometemos erros e, por fim, você pensa: bom, é isso aí. Fiz o melhor que pude. É disso que ele se dá conta no fim.”
O curioso é que a trama é ambientada na Segunda Guerra Mundial, época em que o ator que inspirou Sir, Donald Wolfit, não era um homem de idade, com problemas físicos e de memória, mas um senhor próximo dos 40 anos e no melhor de sua saúde.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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