Pesquisadores apontam que tipo sanguíneo e genes estão ligados à Covid-19

Um estudo europeu analisou mais de 4.000 pacientes e foi publicado em revista científica

Escrito por: Vinicius Assis3 min de leitura
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Divulgação
A pesquisa usou dados de mais de 4.000 pessoas (Divulgação)

O tipo sanguíneo e alguns genes podem interferir na taxa de infecção da Covid-19 no organismo dos pacientes. Essa afirmação foi o resultado de um estudo europeu que analisou amostras sanguíneas de mais de 4.000 pacientes em vários países do Velho Continente. As analises da descoberta foram publicadas na última quarta-feira (17) no The New England Journal of Medicine, um dos jornais científicos com mais prestígio no mundo acadêmico.

A pesquisa contou com voluntários para o estudo da Noruega, Espanha, França, Inglaterra e Alemanha, Itália e Dinamarca. Os pesquisadores foram liderados pelos médicos Andre Franke, da Universidade Christian-Albrecht de Kiel, na Alemanha, e Tom Karlsen, do Hospital Universidade de Oslo, na Noruega. Todo o estudo foi desenvolvido no auge da pandemia na Europa.

Uma série de variações nos genes envolvidos nas reações do sistema imunológico são mais comuns em pessoas com casos graves de Covid-19, segundo os cientistas. Estes genes também estão envolvidos com uma espécie de capa, feita de proteína celular chamada ACE2, que o coronavírus usa para ter acesso às células do corpo e infectá-las.

Como resultado, o estudo encontrou que as pessoas com o tipo sanguíneo A – positivo e negativo – tem até 45% de chances a mais de se infectar do que outros tipos de sangue. Já os do tipo O, seja positivo ou negativo, se mostram até 35% mais resistentes à infecção comparados aos outros tipos de sangue. As pessoas com sangue tipo AB ficam em segundo lugar no termo de facilidade de infecção, e as com tipo B ficam em terceiro. Ainda assim, os últimos citados tiveram grande variação no teste.

Em suma, pessoas com sangue do tipo A tendem ter mais chances a desenvolver a doença, enquanto as com sangue tipo O tem menos.

A explicação para alguns tipos de sangue serem mais suscetíveis a doença é simples. De acordo com a pesquisadora Mary Horowitz, chefe científica do Centro Internacional de Pesquisa em Transplante de Sangue e Medula, em entrevista publicada na página do Bem Estar, pessoas com o tipo O são mais capazes de reconhecer certas proteínas como estranhas, o que faz com que o sistema de defesa do organismo seja acionado previamente.

Para Francis Collins, diretor dos institutos nacionais de Saúde dos Estados Unidos e especialista em genética, em texto publicado no próprio blog, “A esperança é que esta e outras descobertas apontem o caminho para uma compreensão mais abrangente da biologia da Covid-19 (…) um exame genético e o tipo sanguíneo de uma pessoa, que podem fornecer ferramentas úteis para identificar aqueles que podem correr mais risco de uma doença grave”, escreveu Collins.

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