Pesquisas viram meme nas redes sociais; entenda como elas são feitas

A famosa margem de erro -dois pontos percentuais para mais ou para menos- das pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano gerou uma grande quantidade de brincadeiras (conhecidas como memes) na internet e redes sociais devido aos resultados das urnas no primeiro turno serem completamente diferentes dos levantamentos.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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20141024_meme margem de erro_eleição_(Reprodução/geradormemes.com)

Um dos memes criados brinca com os dias da semana

Reprodução/criadormemes.com

A famosa margem de erro -dois pontos percentuais para mais ou para menos- das pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano gerou uma grande quantidade de brincadeiras (conhecidas como memes) na internet e redes sociais devido aos resultados das urnas no primeiro turno serem completamente diferentes dos levantamentos.

Dois exemplos podem ser as pesquisas para governador e presidente. No Rio Grande do Sul, o candidato José Ivo Sartori (PMDB), aparecia em terceiro lugar, com 23% das intenções de voto, mas ficou em primeiro lugar no Estado, com 40,4% dos votos. Ele disputa o segundo turno com o governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição.

Já na eleição para presidente, o que chamou atenção foi a porcentagem de votos de Aécio Neves (PSDB). O tucano tinha 24% das intenções na última pesquisa divulgada no primeiro turno, mas na votação atingiu 33%. Com os resultados, não demorou muito para os internautas “fazerem a festa” no Facebook, Twitter e Whatsapp.  “Esta foi a eleição mais comentada que vi até hoje”, diz o consultor de política Marcelo Weiss.

Para Marcelo, a diferença do levantamento prévio com o resultado final pode ter relação com a terceirização na aplicação das pesquisas. “Me lembro de uma ocasião em que uma pesquisa do Ibope foi completamente errada e depois viram que o instituto tinha terceirizado a aplicação com uma empresa menor. Temos que ver se os institutos estão com equipe suficiente. Essa terceirização pode comprometer o produto e a precisão da pesquisa”, afirma.

Outro ponto destacado pelo consultor é a migração de votos. “Historicamente, 3% dos votos de um candidato são de pessoas que decidiram seguindo a pesquisa. Isto acontece e é normal termos essa indecisão até o dia da votação. Também existe a porcentagem de indecisos, as pesquisas aceitam que até 5% dos votos venham deles, mas se passar disso é uma falha técnica”, opina Marcelo.

Já o cientista político da Unitau (Universidade de Taubaté) Maurício Cardoso acredita que a diferença pode ser explicada pela instabilidade política e partidária dos brasileiros. “O povo brasileiro tem pouca identificação com política e é instável politicamente falando, ou seja, a opinião do eleitor é uma durante a pesquisa e pode mudar no dia da votação”, diz.

“As pesquisas são uma estatística, é uma ciência exata. Acredito que esses erros acontecem no universo da aplicação, ou seja, é um erro humano e não lógico. Se o povo brasileiro tivesse uma identificação mais clara, penso que não teria tanta diferença. Para mim, mais que um erro do instituto está a instabilidade política do eleitor brasileiro”, completa Maurício.

Devido aos erros nas pesquisas eleitorais, em reportagem publicada nesta quarta-feira (22) no jornal Folha de S. Paulo, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Antonio Dias Toffoli, afirmou que quer conversar com os institutos de pesquisa sobre a metodologia e as regras para divulgação dos levantamentos de intenção de voto.

Como funcionam 
Qualquer pessoa jurídica pode contratar a realização de uma pesquisa de intenção de voto. No Brasil, o precursor das pesquisas políticas é o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística), que iniciou os trabalhos na década de 50. Segundo o Datafolha, outro instituto de pesquisa no país, para conhecer o que uma determinada população (universo) acha sobre algo, ou como se comporta diante de algo, basta ao pesquisador observar uma parcela com as características representativas dessa população.

Quando se realiza uma pesquisa para conhecer a intenção de voto do eleitor brasileiro, o Datafolha ouve apenas um grupo de pessoas (amostra) cujas características (idade, sexo, escolaridade, distribuição regional etc.) traduzem o conjunto dos cerca de 136 milhões de eleitores (universo).

Na interpretação das pesquisas só é possível concluir se um candidato está subindo ou descendo se houver o mesmo resultado em pelo menos três avaliações. Já que nem todas as pessoas são entrevistadas em uma amostra, existe uma margem de erro que geralmente é estimada em torno de 2%, para cima ou para baixo.

As entidades e empresas que realizam pesquisas de opinião pública relativas a eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, são obrigadas a registrá-la no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), ao qual compete fazer o registro dos candidatos com no mínimo cinco dias de antecedência da divulgação.

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