Piscicultores e pesqueiros sofrem com a falta de água nos rios da região

Pesqueiros e piscicultores que dependem dos rios Paraitinga ou Paraibuna para manter suas atividades econômicas em Redenção da Serra sofrem com a falta de água. Além da queda na produção, registram cada vez mais redução no movimento de turistas que procuram os espaços para lazer aos finais de semana.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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Pesqueiros e piscicultores que dependem dos rios Paraitinga ou Paraibuna para manter suas atividades econômicas em Redenção da Serra sofrem com a falta de água. Além da queda na produção, registram cada vez mais redução no movimento de turistas que procuram os espaços para lazer aos finais de semana.

A situação mais crítica é encontrada no rio Paraitinga, onde alguns pontos estão completamente sem água e viraram pastos. Já o rio Paraibuna está com o nível de água diminuindo a cada dia, revelando pedras, entulhos e vegetação, que antes estavam submersos.

Nesta quarta-feira (24), a ANA (Agencia Nacional de Águas) registrou o menor índice histórico da Bacia do Rio Paraíba do Sul, que opera com a capacidade média de 14%. Até então, o mais baixo volume de água medido pela agência era 14,2%, nos dias 7 e 8 de outubro de 2003.

O pisicultor Silvio Gasperotto chegou em Redenção da Serra há cinco anos e já se programa para retornar à sua cidade natal: Foz do Iguaçu. “Visitei Redenção, me apaixonei pela cidade e vi aqui uma oportunidade para a piscicultura. Mas, infelizmente, a situação está complicada para quem depende da água do Paraitinga e já estou arrumando as minhas trouxas para voltar ao Paraná”, conta.

Segundo Gasperotto, em média, criava 30 toneladas de peixe por ano e agora mantém apenas uma gaiola com poucos peixes na parte que ainda tem água no rio.

“Estou sem esperanças. O que antes era um rio, virou pasto. Disseram que para voltar ao nível normal vai demorar três anos e, infelizmente, não podemos esperar por isso. Um vizinho que tinha uma pousada aqui do lado já foi embora”, lamenta.

Sérgio Luiz, responsável por um pesqueiro em Redenção, afirma que tanto a crise hídrica, quanto com a retirada dos flutuantes (casas construídas para a prática da pesca que ficam às margens dos rios) determinada pelo Ministério Público Federal, provocaram uma queda brusca no movimento de turistas.

“O público que construiu os flutuantes é de aposentados que vinham aqui no fim de semana ou em alguns dias da semana. Já não bastasse a crise que estamos passando por diminuição de água, agora também estamos retirando os flutuantes”, conta o caseiro do pesqueiro, que também agrupava mais de 20 flutuantes, às margens do Rio Paraibuna.

“Os donos dos flutuantes rateavam os custos de água e luz e me pagavam um salário mínimo. Agora estou só com a aposentadoria e com uma esposa e duas filhas para criar”, diz Luiz, que também teve que interromper os passeios de barco que fazia com os turistas. “O restante dos turistas estão indo embora, assim como a água: aos poucos”, conclui.

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