CV envia criminosos à Europa para treinar táticas de guerra
Facção teria mandado integrante à Ucrânia

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) revelou, nesta quarta-feira (5), que o Comando Vermelho (CV) enviou integrantes à Europa, incluindo a Ucrânia, para aprimorar técnicas de combate e estratégias de guerra. O objetivo seria aplicar táticas de guerrilha e terrorismo em confrontos contra as forças de segurança no Brasil.
De acordo com a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), a investigação identificou que membros da facção estão atravessando fronteiras europeias desde 2023 em um esquema batizado de “intercâmbio do crime”, destinado a “profissionalizar” o crime organizado no país.
Um dos criminosos foi identificado como Philippe Marques Pinto, de 29 anos, ligado a Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, chefe do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). Segundo a polícia, Philippe teria viajado à Ucrânia em junho de 2023, junho de 2024 e setembro de 2025, com escalas em Lisboa (Portugal), e permanece atualmente em território ucraniano.
“O objetivo era estudar táticas militares e terroristas usadas na guerra da Ucrânia e adaptá-las à realidade das comunidades do Rio”, informou uma fonte da Ssinte.
Um vídeo obtido pela polícia mostra o criminoso exibindo um fuzil AK-47 e declarando fidelidade à facção.
“É o CV puro e sem mistura. Um forte abraço para o meu mano Cafu, eterno dono da favela da Central”, diz Philippe nas imagens.
Ao final da gravação, ele afirma que a arma é verdadeira e a desmonta diante da câmera. O material foi encaminhado à Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que abriu inquérito para investigar o caso. Philippe já possui antecedentes por tráfico de drogas e deverá responder por apologia e associação ao tráfico.
A investigação faz parte de uma série de operações que tentam mapear a expansão internacional do PCC e do CV, que vêm diversificando suas rotas e métodos de atuação em países da Europa e da África. O movimento acende alerta sobre o avanço do crime organizado brasileiro no exterior.
A Polícia Civil informou que continua monitorando as viagens de outros suspeitos e trabalha em cooperação com autoridades internacionais para impedir o retorno dos criminosos ao país com treinamento de guerra.
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