Polícia Federal faz operação contra esquema de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais

Mandados são cumpridos em cinco cidades; investigação aponta uso de 87 empresas de fachada para movimentar recursos de operadores ilegais de apostas esportivas

Escrito por: Rubens Baracho2 min de leitura
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (6), a Operação Véu de Maia para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a operadores ilegais de apostas esportivas. A investigação aponta que o grupo utilizava dezenas de empresas de fachada para movimentar recursos de origem ilícita e pode ter enviado dinheiro ao exterior por meio de criptomoedas.

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Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia (GO), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre (RS) e Canoas (RS). A operação é coordenada pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Goiás.

De acordo com a PF, as investigações tiveram início após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os dados indicaram a existência de 87 empresas suspeitas de atuar como “laranjas” para ocultar e movimentar recursos provenientes de plataformas de apostas que operavam de forma irregular.

Além da lavagem de dinheiro, os investigadores apuram a possível prática de evasão de divisas por meio da remessa ilegal de valores ao exterior utilizando criptomoedas.

Os alvos da operação poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.

Milhões de brasileiros utilizam plataformas ilegais

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizam casas de apostas ilegais. A declaração foi feita durante um evento realizado no último dia 19 de junho.

De acordo com estimativas do governo federal, as apostas esportivas provocam perdas econômicas de aproximadamente R$ 38,8 bilhões por ano, sendo que cerca de 80% desse impacto está relacionado aos custos na área da saúde.

O ministro também afirmou que entre 41% e 50% das plataformas de apostas em funcionamento no país operam de forma ilegal. Ainda segundo ele, a Secretaria de Prêmios e Apostas já bloqueou mais de 40 mil domínios de sites que não atendem à legislação brasileira.

Os dados do governo apontam ainda que um em cada quatro brasileiros aposta diariamente e que metade da população realiza apostas ao menos uma vez por semana. O perfil predominante dos usuários é formado por jovens de baixa renda: 69% têm entre 19 e 29 anos e 63% possuem renda familiar de até dois salários mínimos.

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