Praga – Quatro cidades em uma e o maior castelo do mundo

Na capital checa, arte e arquitetura de oito séculos convivem e fazem da cidade um dos mais incríveis cenários da Europa

Escrito por: Bruna Toni4 min de leitura
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Catedral de São Vito, dentro da área do Castelo de Praga, levou sete séculos para ser concluída Foto: Bruna Toni/Estadão

Catedral de São Vito, dentro da área
do Castelo de Praga, levou sete séculos
para ser concluída

Bruna Toni/Estadão

A história humana deixou marcas na arquitetura, nos costumes e na política de Praga. A cidade às margens do Rio Vltava (ou Moldava), que tem 440 quilômetros de extensão e atravessa a capital da República Checa, soube conservar muito bem suas construções erguidas a partir do século 9.º. Seu valor histórico foi reconhecido pela Unesco que, em 1992, declarou o centro de Praga um Patrimônio da Humanidade.

Sob o frio de meados de abril, chegamos ao Mosteiro de Strahvov, um dos mais significativos exemplos da passagem do tempo na cidade. Erguido sobre a Colina de Petrin por volta de 1143, pertence atualmente à Ordem de São Norberto, como na época de sua fundação. Mas, durante os anos socialistas da então Checoslováquia, entre 1945 e 1989, os frades foram expulsos e as dependências, transformadas em um museu de literatura.

Os frades retornaram ao convento com a queda do regime socialista, na década de 1990, depois da Revolução de Veludo, e encontraram o patrimônio intacto: a Capela de São Roque, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, do século 18, a rica biblioteca barroca, a galeria de pinturas. Tudo aberto à visitação: strahovskyklaster.cz.

Da Colina de Petrin se vê, do alto, a capital enfeitada por telhados avermelhados e dividida em quatro “cidades”: a Nova, a Pequena, a Velha e a do Castelo. Até 1784, as quatro comunas funcionavam de maneira independente, apesar do intercâmbio entre elas por meio do Rio Moldava. O tempo passou, Praga se unificou, foi repartida em zonas numeradas – Praga 1 é a região central -, mas as quatro “cidades” continuam sendo referência a moradores e turistas.

Colosso. Na margem esquerda do rio, onde tudo começou, sobre a Colina Hradcany, está o maior castelo do mundo segundo o Guinness Book, em uma área de mais de 72 mil metros quadrados. As dimensões são mais bem explicadas (e apreciadas) à noite, sob as luzes que cobrem de dourado seus prédios e torres, cujos primeiros registros datam de 880.

A movimentação na frente do Castelo de Praga (bit ly/castelopraga) sinalizava a proximidade da troca da guarda, como a inglesa – o castelo abriga a presidência do país. Passada a marcha dos soldados, alcançamos o pátio que leva a dez pontos históricos, entre eles a impressionante Catedral de São Vito e o Beco do Ouro, com antigas casinhas de alquimistas que desejavam encontrar a tal partícula de Deus que teria dado origem ao universo. “Foi aqui também que, séculos mais tarde, Franz Kafka se isolaria para escrever”, conta a guia Magda Callerova.

A impressionante catedral, que não cabe inteira no enquadramento da foto, demorou sete séculos para ser terminada, do primeiro tijolo, posto em 1344, sob o imperador Carlos IV, à conclusão, em 1929. Seu interior preserva relíquias dos santos e reis checos, enterrados ali com suas joias e outros pertences desde a Idade Média. Um dos túmulos mais importantes é o de São Venceslau, que tem capela própria – no caminho até ela, pare para admirar o mosaico veneziano de 1370 que preenche a parede lateral.

A entrada ao complexo do castelo é gratuita. Ao Beco de Ouro e ao interior dos prédios, o acesso é cobrado: de 70 a 700 coroas checas (R$ 9 a R$ 92).

Staré Mesto, a Cidade Velha, é a área mais antiga e turística. Está do outro lado da famosa Ponte Carlos, que começou a ser construída no século 12. Hoje, serve de palco a artistas e cenário para selfies e fotos de casamento. A uma curta caminhada, o Relógio Astronômico, na torre do prédio da antiga prefeitura, junta gente em volta a cada hora cheia para assistir à performance de bonecos lá no alto.

Na Rua Republiky, a Torre da Pólvora, de estilo gótico, é remanescente da muralha medieval que cercava a Cidade Velha. Chegar ao alto de seus 44 metros requer disposição para subir 186 degraus (muzeumprahy.cz/prasna-brana).

O bairro Josefov guarda memorabilia do povo judeu que os nazistas traziam de outros territórios invadidos e faziam questão de preservar. “Eles queriam manter uma documentação histórica de uma raça que, afinal, desapareceria”, conta a guia Magda. Placas douradas incrustadas nas calçadas registram nomes de moradores que se tornaram vítimas do holocausto. A sinagoga Velha-Nova, mais antiga da Europa, de 1270, e o Cemitério Antigo recebem hoje milhares de turistas. O ingresso combinado custa 250 coroas (R$ 33): jewishmuseum.cz.

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