Prefeitura de São Sebastião realiza varredura na Barra do Una, após atriz e filha contraírem malária

Camila Pitanga e a filha Antônia passavam a quarentena em casa no Litoral Norte

Escrito por: Da redação3 min de leitura
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Reprodução Redes Sociais
Reprodução Redes Sociais

A Vigilância Epidemiológica de São Sebastião confirmou três casos de malária no município em 2020. Dois deles são da atriz Camila Pitanga e a filha Antônia, de 12 anos.

A Prefeitura vai realizar uma varredura no Barra do Una, próximo à residência da atriz, num raio de 500 metros para identificar a ocorrência de novos casos e tentar controlar a malária em regiões não endêmicas.

Camila Pitanga e a filha apresentaram sintomas como febre e dores no corpo e suspeitaram que estavam infectadas pelo novo coronavírus, mas o exame para Covid-19 deu negativo e, seguindo orientações médicas, ela fez um teste diagnóstico para malária.

Nas redes sociais, a atriz anunciou o resultado e disse que estava em tratamento com cloroquina, remédio que muito antes de entrar no debate da Covid-19, já era indicado para malária, lúpus e artrose, entre outras doenças.

Camila se tornou alvo de mensagens falsas nas redes sociais que apontavam que o diagnóstico de malária era apenas para esconder o uso do medicamento para Covid-19. Ela refutou as acusações e divulgou o exame negativo para o coronavírus.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018 foram notificados 193.838 casos de malária na região amazônica (99,7% do total do Brasil) e 735 no restante do país, dos quais pouco mais de um terço (34%) foram endêmicos, ou seja, contraídos localmente. Em 2019 foram 156.917 casos na região amazônica e 540 fora dela.

A região Sudeste concentrou quase metade das notificações fora da Amazônia. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, em 2020 foram notificados, até junho, apenas dois casos de malária no estado. Em todo o ano de 2019, foram 12 casos.

Diferentemente do mosquito Aedes, que transmite a dengue e é comum em centros urbanos, a espécie Anopheles, responsável pelo contágio da malária, é silvestre e muito mais comum em áreas próximas a vegetações naturais. O condomínio onde Camila Pitanga e sua filha pegaram a doença fica em uma área preservada de mata atlântica.

Algumas espécies não têm por hábito entrar nas casas, por isso o contato é feito quando a pessoa entra na mata.A malária é uma doença causada por um parasito do sangue, um protozoário do gênero Plasmodium.

Com a Covid-19 e sintomas similares como febre e dores de corpo, a confusão aumenta e pode atrasar ainda mais o diagnóstico certeiro.

O tratamento é feito com antimaláricos e depende da espécie do parasito. Para P. falciparum, é mais comum usar artemisenina, remédio feito a partir de uma planta chinesa, associado a um ou mais medicamentos, porque há resistência à cloroquina.

Já o P. vivax possui uma resposta melhor à cloroquina. São três dias de medicação mais um segundo ciclo de 7 ou 14 dias de primaquina, explica Santi, para matar qualquer parasito latente no fígado.

Embora a polêmica da cloroquina seja o uso no combate à Covid-19 sem eficácia comprovada, o uso da quina como medicamento é reconhecido para outras causas. Seu efeito no coração, porém, pede cautela na dosagem.

As doses utilizadas para o tratamento da malária não possuem efeitos colaterais graves, afirma Santi. “É uma dose bem tolerada, mas altas doses podem causar zumbido no ouvido e taquicardia. O tratamento sempre deve ser acompanhado por um médico, de preferência em uma unidade de referência, e nunca, em hipótese alguma, com automedicação.”

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