Prefeitura inaugura residência terapêutica na região leste de São José

Unidade vai atender dez pacientes de saúde mental crônicos

Escrito por: Do Meon4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

A Prefeitura de São José dos Campos inaugurou, nesta quarta-feira (20), uma residência terapêutica na região leste da cidade. A unidade vai atender dez pacientes de saúde mental crônicos, que estão internados e sem vínculos familiares há muito tempo – o mais antigo deles, desde dezembro de 1996.

Até agora, a cidade mantinha oito residências terapêuticas que, juntas, abrigam 66 pessoas com transtornos mentais. A inauguração da nova unidade faz parte da reformulação realizada na rede de atenção psicossocial do município. Segundo a Secretaria de Saúde, o objetivo é promover a desospitalização e a reinserção social dos pacientes psiquiátricos, bandeira da luta antimanicomial, regulamentada há 27 anos.

O primeiro passo dessa medida foi a decisão da prefeitura de não prorrogar o contrato com o hospital Chuí, anunciado em janeiro deste ano. Desde então, a meta foi reavaliar os pacientes internados para que pudessem ser encaminhados para as unidades administradas pela Secretaria de Saúde.

A ideia era encaminhar aos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) aqueles que estavam controlados. Para aqueles com internação de longa permanência, há mais de dois anos, a intenção era o encaminhamento para residências terapêuticas.

Essas casas de saúde são mantidas com recursos financeiros anteriormente destinados aos leitos psiquiátricos. Assim, para cada morador de hospital psiquiátrico transferido para uma residência terapêutica, um número igual de leitos psiquiátricos deve ser descredenciado do SUS (Sistema Único de Saúde) e os recursos financeiros realocados para a manutenção das residências terapêuticas.

De acordo com a Secretaria, desde o ano passado, está aberto o credenciamento para novas residências terapêuticas, com o objetivo de extinguir o modelo de atenção centrado no hospital psiquiátrico. O CVV Francisca Júlia foi a única instituição que manifestou interesse, até o momento, e é quem administra as oito residências terapêuticas existentes há nove anos.

Assistência
Nas residências terapêuticas, os pacientes têm assistência de uma equipe multidisciplinar que incentiva a autonomia e a independência dessas pessoas para que desenvolvam e possam restabelecer habilidades perdidas, devido aos longos anos de internação hospitalar.

Além disso, os pacientes dispõem de atendimento médico clínico, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, musicoterapeuta, assistente social, enfermeira, monitor e equipe de apoio, como cozinheira, por exemplo.

Na rotina, os pacientes fazem atividades externas monitoradas pela equipe, como o uso da academia ao ar livre, uso de piscinas públicas, atividades em cozinha experimental terapêutica, passeios ao Mercado Municipal, praias e parques, além de fazerem pequenas compras em padaria e supermercados.

“Estamos muito felizes por mais essa conquista. Afinal, dez pacientes partem para uma nova vida. Vão ganhar muito em qualidade de vida, sem deixar de lado o tratamento médico. Eles estão felizes, e nós também”, disse o diretor do Francisca Júlia, Luiz Carlos Peagno.

Segundo Peagno, há dias os pacientes são levados para a nova ‘casa’ diariamente para que fossem se ambientando, gradualmente. “Cada dia, nós levávamos os pacientes um pouco e mostrávamos tudo. Eles acompanharam o processo de montagem da casa e estão ansiosos para a mudança. Esse processo era necessário para evitarmos a mudança abrupta”, disse.

Para  o secretário de Saúde, Paulo Roitberg, é hora de mudar a ideia de que paciente de saúde mental deva ser mantido internado por anos, tomando medicamentos fortes e sem nenhuma autonomia.

“O que queremos e vamos fazer é mudar essa lógica e humanizar esse atendimento. Os pacientes que temos internados em residências terapêuticas já nos provaram que a autonomia traz progressos importantes ao tratamento e que é a linha que devemos seguir”, disse.

De acordo com a secretaria, a intenção da prefeitura é que mais da metade dos pacientes, hoje internados, sejam desospitalizados e encaminhados para tratamento em outras unidades, com foco na reinserção social.

“Estamos fazendo algumas mudanças para nos enquadrarmos nas regras preconizadas pelo SUS para pacientes de saúde mental. É uma mudança lenta e gradativa, que já começou. O objetivo é, com o tempo, acabarmos com as internações de longa duração. Hoje, temos na rede pacientes internados há mais de 15 anos. Isso é desumano e precisa acabar”, disse Roitberg.

Publicado em: