Primeira semaglutida nacional chega ao mercado para tratar obesidade e diabetes

O mercado farmacêutico brasileiro começou a receber neste mês o Ozivy, a primeira versão nacional da semaglutida aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desenvolvido pela farmacêutica EMS após a queda da patente da molécula original, o medicamento chega para ampliar o leque de opções terapêuticas voltadas ao controle do diabetes tipo 2 e […]

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
Foto: Reprodução / Maginific

O mercado farmacêutico brasileiro começou a receber neste mês o Ozivy, a primeira versão nacional da semaglutida aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desenvolvido pela farmacêutica EMS após a queda da patente da molécula original, o medicamento chega para ampliar o leque de opções terapêuticas voltadas ao controle do diabetes tipo 2 e da obesidade, duas das doenças crônicas de maior prevalência na saúde pública do país.

O produto foi lançado com preço inicial de R$ 452 por caneta. Segundo a fabricante, o planejamento para o primeiro ciclo de abastecimento prevê a distribuição de mais de 500 mil canetas em farmácias de todo o território nacional. A empresa estima que, considerando o escalonamento das doses iniciais, o custo médio mensal nos três primeiros meses de tratamento fique abaixo de R$ 300.

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A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, um hormônio intestinal que estimula a secreção de insulina, reduz a produção hepática de glicose e retarda o esvaziamento gástrico, promovendo saciedade. O grande diferencial do medicamento nacional em relação aos pioneiros do mercado global está em sua rota de fabricação:

  • Modelos originais: Desenvolvidos por engenharia biológica, utilizando organismos vivos geneticamente modificados para expressar o peptídeo.
  • Modelo nacional (Ozivy): Produzido via síntese química, processo laboratorial onde os aminoácidos são acoplados sequencialmente até formar a cadeia molecular final.

Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, PhD e autora do livro Atmasoma, o avanço na tecnologia de síntese peptídica permite entregar uma molécula complexa com alto grau de pureza, estabilidade e capacidade de escala industrial. “A discussão científica mais relevante não é ‘sintético versus biológico’, mas sim a robustez do processo produtivo, do controle de qualidade e da farmacovigilância”, avalia a especialista, destacando que o crivo técnico da Anvisa garante que o medicamento atende aos rígidos parâmetros de eficácia e segurança exigidos.

A alta demanda global pelas terapias de GLP-1 gerou, nos últimos anos, crises de desabastecimento em diversos países, abrindo brechas para a comercialização de fórmulas manipuladas sem base científica, importações paralelas e falsificações.

A introdução de uma plataforma de síntese química nacional tende a mitigar esse cenário. De acordo com especialistas, a produção sintética reduz a dependência de cadeias biotecnológicas complexas e aumenta a concorrência de mercado. A maior disponibilidade de produtos regularizados e fiscalizados pela Anvisa deve reduzir o espaço ocupado pelo comércio clandestino.

O perfil de segurança do Ozivy acompanha os padrões já mapeados para a classe dos medicamentos de GLP-1. Os efeitos adversos mais comuns são de ordem gastrointestinal e costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou durante o aumento gradual das doses:

  • Náuseas e vômitos;
  • Constipação ou diarreia;
  • Refluxo e desconforto abdominal.

O uso do medicamento permanece contraindicado para indivíduos com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, pacientes com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2) ou que apresentem hipersensibilidade a qualquer componente contido na fórmula.

Foto: Reprodução / Maginific

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