Professores denunciam crise nas escolas estaduais da RMVale
Problemas vão da falta de materiais básicos a superlotação e insegurança









Uma assembleia deve definir nesta sexta-feira (10) o rumo da greve dos professores da rede estadual em São Paulo. Na quinta (9), um ato reuniu os professores da região na praça Afonso Pena, em São José dos Campos e os educadores fizeram graves denúncias sobre as condições de trabalho em algumas escolas da RMVale e Litoral Norte.
De acordo com a Apeoesp (Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo) os professores querem além do reajuste salarial de 75,33%, protestar contra o fechamento de mais de 3 mil salas de aula no Estado, o que superlota as demais classes – 250 foram fechadas apenas em São José dos Campos. Também protestam contra a demissão de 20 mil professores, o corte dos estagiários das salas de informática e a falta de verba em geral para a educação, com prédios sucateados e sem materiais.
“Em algumas escolas da região sul de São José, que é onde damos aula, vivemos um quadro crítico. Cheguei a ter 50 alunos dentro da sala de aula, não temos segurança, somos ameaçados, vivenciamos o tráfico dentro da escola, não há infraestrutura, os computadores estão todos quebrados, não tem condições de trabalho. Isso não é só aqui, é assim em todos os lugares, é só você ouvir os professores”, relata uma professora que pediu para não ser identificada.
Outra educadora, que já atua na rede estadual há 20 anos, conta que além do medo, existe uma cobrança muito grande. “Querem que inovemos, que melhoremos a educação, mas como? Não tem condições. Até o professor auxiliar, que ajudava na aplicação de atividades diferentes, foi cortado. E se eu quiser levar os alunos para uma aula fora da sala, não tem para onde ir, está tudo esgotado, lotado. Fora que falta tudo, até papel higiênico”, denuncia.
Não era difícil encontrar em meio a manifestação, história de professores que doam sua vida à educação de crianças e jovens há anos e que se sentem cansados, amedrontados, deprimidos e desvalorizados.
“Queremos que o governo olhe para nós e nos valorize. Invista nas escolas, reabra as salas de aula, melhore as condições da educação, para o bem das nossas crianças e o nosso”, afirma uma das conselheiras da Apeoesp, a professora Cleuza Trindade.
Na Região do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no momento, cerca de 30% dos professores aderiram à paralisação.
Outro lado
Procurado pelo Meon, até o fechamento desta reportagem, A Secretaria Estadual de Educação não havia se manifestado sobre a greve.
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