Quem é o padre de SP excomungado pela Igreja Católica após aderir a grupo tradicionalista
Padre Rodrigo de Oliveira da Silva, da Diocese de Jundiaí, foi excomungado após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista que não está em plena comunhão com o Vaticano.

O padre Rodrigo de Oliveira da Silva, da Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, foi excomungado pela Igreja Católica após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo tradicionalista que não está em plena comunhão com a autoridade do Vaticano. A decisão foi comunicada pela Diocese de Jundiaí e divulgada nesta semana.
A medida ocorreu depois que a diocese constatou a vinculação do sacerdote à fraternidade. A FSSPX mantém uma posição de ruptura com a autoridade do Vaticano desde que o grupo realizou, em 1988, ordenações episcopais sem autorização da Santa Sé.
Segundo a Diocese de Jundiaí, a adesão de Rodrigo à organização caracteriza uma situação de cisma, levando à aplicação da excomunhão. O comunicado foi feito pelo bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto.
A excomunhão é uma das penas mais graves previstas pelo direito da Igreja Católica e implica a exclusão do fiel da plena comunhão eclesial. No caso de um sacerdote, a medida também tem consequências sobre o exercício legítimo de suas funções religiosas.
Rodrigo de Oliveira da Silva é o segundo sacerdote ligado à Diocese de Jundiaí a sofrer uma punição pública da Igreja em um curto período. Antes dele, o padre Silvio Andrei Rodrigues havia sido suspenso após anunciar uma candidatura a deputado federal.
O que é a Fraternidade São Pio X
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e ficou conhecida pela defesa da liturgia tradicional e por críticas a mudanças promovidas na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.
A relação do grupo com o Vaticano é marcada por décadas de conflitos. Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, provocando uma ruptura com a Santa Sé.
Desde então, o Vaticano mantém diálogos com integrantes da fraternidade, mas a FSSPX não é considerada uma comunidade em plena comunhão com a Igreja Católica.
Excomunhão não significa perda da condição de padre
A excomunhão não equivale automaticamente à perda do estado clerical. A medida impede a pessoa de exercer legitimamente determinados atos e funções dentro da Igreja enquanto permanecer sob a pena.
O caso de Rodrigo ocorre em um momento em que a relação entre setores tradicionalistas e a hierarquia católica voltou a ganhar destaque no Brasil, com outros sacerdotes sendo alvo de medidas disciplinares recentes.
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